A prefeitura de Cachoeira recebeu o certificado de ‘Registro Especial’ de ‘Bem Cultural da Bahia’ para 10 terreiros de candomblé. A ação foi realizada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), responsável pela política pública de proteção aos bens culturais baianos, na última sexta (29). O instituto e a prefeitura de Cachoeira também fecharam acordo para reparos prediais nos 10 terreiros. “Estamos investindo cerca de R$ 120 mil para compra de materiais de construção, e a prefeitura vai aportar o mesmo valor para executar as obras”, afirma o diretor-geral do Ipac, João Carlos de Oliveira.

O ‘Registro Especial’ do Ipac para os 10 terreiros de Cachoeira e São Félix garante que esses mananciais da cultura afrodescendente ganhem um ‘plano de salvaguarda’ com metas, objetivos, regras e ações de proteção a curto, médio e longo prazos. “A primeira ação foi um livro-inventário para salvaguarda da memória desses terreiros, lançado no ano passado [2015] na Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica). E a segunda serão esses reparos, já que uma vistoria mostrou problemas nas suas edificações”, acrescenta João Carlos.

Como os terreiros têm proteção oficial do Estado, eles também podem se inscrever e terão prioridade nos Editais de Cultura e demais linhas de financiamento público. “Devemos empreender outras parcerias com o Ipac no município”, adianta o secretário de Cultura e Turismo de Cachoeira, André Reis. Segundo o coordenador de Turismo de Cachoeira, Leonardo Marques, a ação do Ipac foi inédita. “Nenhum gestor público havia pensado nisso até agora; além do registro é fundamental resguardarmos a casa e terreiro do povo de santo”.

Representantes dos 10 terreiros também estiveram presentes na reunião, no Convento do Carmo, em Cachoeira. São terreiros das nações nagô, nagô-vodum, jeje-mahi e Angola. De Cachoeira participam o ‘Aganjú Didê’ (‘Ici Mimó’), ‘Viva Deus’, ‘Lobanekum’, ‘Lobanekum Filha’, ‘Ogodó Dey’, ‘Ilê Axé Itayle’, ‘Humpame Ayono Huntóloji’ e ‘Dendezeiro Incossi Mukumbi’. De São Félix, participam o ‘Raiz de Ayrá’ e o ‘Ilê Axé Ogunjá’.

Documentário

Do livro, foram impressos dois mil exemplares que já foram distribuídos na FLICA 2015. “Mais dois mil serão distribuídos no lançamento do documentário sobre esses terreiros”, esclarece o diretor de Preservação do Patrimônio do Ipac, Roberto Pellegrino. O vídeo será lançado ainda neste primeiro semestre em Cachoeira e em Salvador, em data a ser divulgada.

O livro já está disponível gratuitamente neste link e no site do Ipac, seguindo as seções ‘Downloads’, ‘Publicações’ e ‘Terreiros de Candomblé’. Mais informações podem ser obtidas com a gerência de Patrimônio Imaterial (Geima) do Ipac, pelo telefone (71) 3116-6741 ou pelo e-mail geima.ipac@ipac.ba.gov.br.

Fonte: Ascom/Ipac