A previsão para os próximos dias é de chuva, inclusive no feriado que vai unir a quinta (26) e a sexta-feira (27) ao fim de semana. Mas basta o sol aparecer para que muita gente aproveite a oportunidade de ir à praia. Semanalmente, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), vinculado à Secretaria do Meio Ambiente (Sema), disponibiliza um boletim com informações sobre as praias que estão impróprias para banho, além de alertar a população sobre os riscos encontrados na água.

Segundo o coordenador de Recursos Ambientais e Hídricos do Inema, Eduardo Topázio, historicamente, as praias mais limpas da capital são as que estão localizadas a partir da região de Piatã, em direção ao Litoral Norte. “A Barra também raramente apresenta problema. Na Bahia são monitoradas cerca de 120 praias, 35 em Salvador, e as piores, principalmente em época de chuva, são as que têm saídas de rios, como Boca do Rio, algumas da Cidade Baixa e também próximo ao Rio Jaguaribe”, revela.

Topázio afirma que a qualidade da água nas praias piora substancialmente em períodos de chuva por causa da drenagem pluvial, que leva a sujeira da cidade para o mar. “Salvador é uma cidade peninsular, então toda a água de chuva vai acabar no mar, levando muito lixo que as pessoas jogam na rua. São essas áreas que ficam muito piores em períodos de chuva por causa do lixo jogado nas ruas ou mal acondicionado, colocado em locais impróprios”.

Funcionário de uma transportadora do estado de São Paulo, Juvêncio de Oliveira, 44 anos, veio com Gisele Ferreira, 26, passar uma semana de férias em Salvador. Nesta terça (24), eles foram à Piatã. Um dos parâmetros para o casal escolher o destino da viagem foi a qualidade das praias. “Eu, antes de comprar a passagem, pesquisei todas as praias e vi que aqui estava ideal. Pesquisei a água, as pessoas que frequentam, e resolvi vir para Salvador”, comenta Juvêncio.

Análise

A praia é considerada própria quando há no máximo, em 80% das amostras, 1.000 coliformes fecais ou 800 Escherichia coli, ou ainda 100 enterococos por 100 mililitros de água. “A normativa que a gente segue é internacional. Nós fazemos a análise da água durante cinco semanas seguidas para verificar a tendência da qualidade da água. Quando essa tendência altera, é porque houve algum tipo de anomalia e nós acionamos a fiscalização para verificar o motivo”, explica Topázio.

Mesmo que nas análises anteriores a qualidade da água esteja dentro dos parâmetros considerados próprios para banho, se o valor obtido na última amostragem for superior a 2,5 mil coliformes termotolerantes, ou 2 mil Escherichia coli, ou ainda 400 enterococos por 100 mililitros de água, a praia é considerada imprópria. Esses critérios foram estabelecidos pela resolução nº 274 /2000 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Ainda de acordo com Topázio, a contaminação não significa que as pessoas vão adoecer. “Mas nós recomendamos que as pessoas não frequentem a praia quando ela viola os nossos parâmetros. Quando é verificado que há mais de 2 mil unidades por 100 mililitros de água, a praia é imprópria, inclusive sem considerar a série histórica. Essas bactérias não causam mal à saúde, mas indicam que podem haver outras que são nocivas”.

Repórter: Raul Rodrigues