Crime que atinge todas as classes sociais e faixas etárias, a injúria racial se manifesta também no ambiente de trabalho. Para combatê-la no âmbito da administração pública estadual, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) realizou nesta terça-feira (17), no auditório da Procuradoria Geral do Estado (PGE), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador, o seminário ‘Governo da Bahia no Combate ao Racismo Institucional, uma agenda pós-abolição’,

De acordo com a titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, um conjunto de ações vem sendo realizadas pelo poder público ao longo dos últimos anos com o intuito de combater o racismo, como a promoção do empreendedorismo pela população negra e o Decreto de Adesão do Poder Executivo Estadual à Década Internacional Afrodescendente, assinado pelo governador Rui Costa em 2015.

“Este seminário vem a calhar no bojo de todas essas medidas do Governo do Estado, para discutirmos um pouco a questão do racismo institucional e como o Estado vê a questão racial internamente. Precisamos debater [este tema] para construir mecanismos, politizar nossos servidores para tratar de maneira legal com todos”, afirmou Vera Lúcia.

O evento teve apoio da Secretaria da Administração (Saeb), Procuradoria Geral do Estado (PGE) e do Grupo de Trabalho da Agenda Internacional Afrodescendente. Na ocasião, também foi apresentado o Programa de Formação de Direito à Diversidade: Gênero, raça e Religião e anunciada a participação da Sepromi na Universidade Corporativa do Serviço Público (UCS).

Cursos

O coordenador executivo para promoção de políticas de igualdade racial da Sepromi, Sérgio São Bernardo, explicou que esta é mais uma parceria firmada com a Saeb que contempla o funcionalismo estadual. “A partir de agora, vamos ter um espaço na Sepromi que estará vinculado à Universidade Corporativa, que servirá também como espaço de formação do servidor. Sendo que, no nosso caso, trabalharemos com relações raciais. A UCS Sepromi está vinculada ao Programa da Diversidade em Gênero, Raça e Religião. Estes três temas serão discutidos pela secretaria em cursos que serão realizados no decorrer deste ano para todos os servidores públicos do estado”.

Há racismo institucional quando organizações estabelecem normas, práticas e comportamentos discriminatórios, seja por falta de atenção, preconceito, estereótipos racistas ou ainda quando pessoas de determinado grupo racial ou étnico são colocadas em situação de desvantagem no acesso a benefícios da instituição onde estão lotadas.

Apoio

Por ser uma questão que abrange os diversos segmentos da sociedade, o seminário teve apoio de artistas como o cantor, compositor e mestre de capoeira Tonho Matéria. “Estas discussões são necessárias, até para acordar [despertar] quem está à frente de uma empresa, um órgão público e perceber que nós [negros] também somos patrimônio [pertencemos] a esta sociedade que está aí”.

Também participaram do seminário o titular da PGE, Paulo Moreno; o secretário de Desenvolvimento Rural, Jerônimo Rodrigues; o diretor da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo; a diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), Arany Santana; a superintendente de apoio e defesa aos Direitos Humanos da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), Anhamona de Brito, entre outras autoridades e representantes do movimento negro.


Repórter: Jhonatã Gabriel