O Centro Educacional Carneiro Ribeiro – Escola Parque, localizado no bairro da Caixa D’Água, em Salvador, antecipa a comemoração ao Dia da África (25 de maio). Para isto, a unidade realizou o seminário ‘Estética africana: Leituras e possibilidades’ nesta quarta-feira (18). O objetivo é dialogar com a comunidade escolar sobre a multiplicidade da estética africana. O seminário também serve de formação continuada para professores e funcionários que atuam nas escolas que compõem a Escola Parque, para que sejam multiplicadores da valorização e afirmação de identidade étnico-racial.

“Estamos no oitavo ano desse formato de seminário como forma de contribuir na construção e reconstrução de identidades. Quando se trabalha com professores e funcionários, eles certamente serão multiplicadores com os alunos. Apresentar as estéticas negras – porque a África e o Brasil têm uma pluralidade estética – fortalece essa pertença identitária de afrodescendente”, afirma a articuladora de Área da Escola Parque e especialista em História e Cultura da África, Darcy Xavier.

O seminário foi mediado pelo professor Luiz Cláudio Rebello, doutorando em Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, com a participação da designer de moda Madalena Cardoso e da gerente do Projeto Axé, Luciana Xavier dos Santos. “O que proponho para hoje é uma grande reflexão do reconhecimento da identidade étnica que vem da raiz e não de um modelo de representação passado desde a infância. É importante que a escola cumpra esse papel de fazer com que os estudantes se reconheçam enquanto afrodescendentes, que busquem na realidade a história da sua cultura e do seu código de pertencimento dessa nação”, declara Luiz Cláudio, que realiza oficinas na Escola Parque.

Receptividade

A temática sobre a estética africana foi bem aceita pelos participantes. Sabrina Ágatha Bastos, 13 anos, aluna do 8º ano do Colégio Classe IV, diz o que mais enaltece sua beleza. “Gosto do meu cabelo black com flor ou turbante, que aprendi a fazer com a minha mãe”. A estudante também afirma sentir orgulho de toda referência cultural africana. “Sou do Candomblé por minha escolha. Sempre me interessei pela cultura africana, por isso escolhi essa religião para mim”, diz.

Para a professora de Geografia da Classe IV, Adriana da Conceição, o tema é um caminho de fácil alcance para reconhecimento identitário dos estudantes. “Eu, como professora, estou percebendo que muitos alunos conseguem se identificar em mim e me veem como exemplo. Percebendo isso, eu os incentivo e os instruo para afirmarem sua estética cultural, e vejam que eles também podem”, diz a professora, revelando que se inspirou nas filhas, Aline e Alice. “Elas têm a identidade muito bem afirmada e muito marcada. Posso até dizer que me inspirei mais nas minhas filhas e do que elas em mim”.

Sobre o Dia da África

No dia 25 de maio se comemora o Dia da África, por ser a data em que 32 chefes de Estado africanos se reuniram na Etiópia, em 1963, e criaram a Organização de Unidade Africana (OUA), com objetivo de libertar o continente africano do colonialismo e do apartheid e promover a emancipação do povo africano.

Fonte: Ascom/Secretaria da Educação do Estado