Pílulas de alegria, pílulas dançadas, pílulas de inclusão. Aos poucos, elas fazem efeito e transformam os rostos das crianças. Em alguns instantes, a tristeza é deixada de lado e a dança preenche a alma e o coração da plateia de felicidade, algumas até de esperança de um futuro melhor. Os momentos mágicos foram proporcionados nesta quarta-feira (18), pelo Balé Teatro Castro Alves (BTCA), no Abrigo Pérolas de Cristo, localizado em Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, que acolhe crianças em situação de vulnerabilidade.

A dança cativou a atenção e arrancou sorrisos de Vitória Luíza, 11 anos. “Eu gostei da apresentação. Essa arte é muito boa e especial. Eu posso, nessa idade, ir para o balé. Os bailarinos vieram aqui me ensinar”, afirmou a garota. Charle Santos, 18, tem dificuldades – uma delas é uma deficiência na fala -, mas se esforça para dar o seu recado. “Eu gostei da peça. Ela é muito importante para a gente tirar as pessoas do tráfico. Ajuda muito, envolvendo e salvando vidas para não se misturarem com o caminho das drogas”.

No repertório da apresentação, belas obras da música popular brasileira, da música internacional e outras que não fazem parte do cotidiano das crianças. A coreografia brincou com as emoções e transformou cenas do cotidiano em dança. Segundo a bailarina e coordenadora do Pílulas Dançadas, Mônica Nascimento, o objetivo do projeto é levar a arte a lugares onde as pessoas não têm acesso.

“É uma inclusão. A gente começa em uma energia e vai progredindo. [A coreógrafa] Morena Nascimento veio de São Paulo e fez o projeto com a gente. Não é uma coreografia pronta, a gente sempre cria mecanismos a depender do espaço. Se for em hospital é de um jeito, até o figurino muda”, explicou a coordenadora.

De acordo com a psicóloga Poliane Gomes, uma das coordenadoras do abrigo, a instituição acolhe 72 crianças e adolescentes de zero a 18 anos, encaminhadas pelo Ministério Público, pela Vara da Infância e pelo Conselho Tutelar por motivos diversos. Para Poliane, “o espetáculo traz uma nova maneira de ver a vida. É uma maneira de resgatar o ser criança de maneira mais lúdica, de ver o mundo com outros olhos. Depois, elas vêm e comentam como um espetáculo deste nível foi bonito. E [a partir daí] nós trabalhamos a identidade, a expressão e o conhecimento do corpo, por exemplo”.

Repórter: Raul Rodrigues