Até 22 de junho próximo, no foyer da Biblioteca Pública do Estado, no bairro dos Barris, em Salvador, estará aberta à visitação do público a exposição ‘Viagem a Timbuktu – Fotografias de Edmond Fortier – Da costa da Guiné às margens do Saara em 1906’, dedicada à obra do fotógrafo francês Edmond Fortier (1862-1928). A programação é em homenagem ao Dia da África (25 de maio) e integra a série de ações da Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), que terão o continente africano como tema central este mês.

Nesta quarta-feira (11), o curso ‘Conversando com a Sua História’ traz o mestre em História Social e especialista em História Africana Contemporânea, Mahfouz Ag Adnane, que abordará o tema ‘A questão Tuaregue (Kel Tamacheque)’. O debate começa às 17h e é aberto ao público.

Tuaregue é o nome dado ao povo constituído por pastores seminômades, agricultores e comerciantes que habitam a área alta do deserto do Saara, no norte da África. Apesar da pele negra, semelhante à dos povos negros africanos mais ao sul, são um dos vários grupos que formam a população berbere do norte da África. São todos praticantes da religião islâmica, que chegaram na região por volta do século 12I.

Mahfouz, primeiro tuaregue a defender o mestrado no Brasil sobre a música no Saara, fala sobre a resistência tamacheque diante do colonialismo francês desde os primeiros momentos da invasão colonial aos seus territórios até a descolonização. Do mesmo modo, será abordada a complexa história da formação de países africanos (Líbia, Níger, Burkina Faso, Mal e Argélia) nos quais os Kel Tamacheque se viram divididos devido às fronteiras herdadas da colonização.

Desde os anos 1960, tem ocorrido uma série de revoltas e lutas por autonomia, a exemplo da revolta de 1963, no Mali, sob o governo de Modibo Keïta, os movimentos ocorridos no Mali e Niger, juntos a partir de 1990, que culminaram na atual crise Azawad-Mali. Em 2014, Mahfouz defendeu sua tese na PUC-SP sobre o movimento musical nascido nos anos 60, como instrumento político, na comunidade tuaregue, a qual pertence.

O pesquisador se dedica aos estudos sobre a história do Saara, principalmente, da sociedade Tamacheque (Tuaregue), no período colonial e após as independências dos países africanos. É membro e pesquisador do núcleo Amanar da Casa das Áfricas e do Centro de Estudos Culturais Africanos e da Diáspora (membro do Cecafro).

Além de suas dissertações, publicou o artigo ‘Paisagens saarianas: palavra da estética Kel Tamacheque’, em co-autoria com Denise Dias Barros. Tem outras publicações como os artigos ‘Arte e história: raízes coloniais do movimento cultural tamacheque Ichúmar (1893/4 à 1963)’ e ‘Resistência cultural Kel Tamacheque no pós-colonial no Mali e no Níger: o movimento Ichúmar. In: XXVII Simpósio Nacional de História’. Mais informações sobre o evento estão disponíveis no site da FPC.

Fonte: Ascom/Fundação Pedro Calmon (FPC)