Muito se falou sobre os convidados especiais para a primeira noite do Festival Eu Sou a Concha. Mas quem são eles? Uma coisa é certa. Boa parte, nunca assistiu a uma apresentação na Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador, por falta de oportunidade. Na quinta-feira (12), véspera da inauguração da nova Concha, que será marcada pela apresentação de Maria Bethânia com Margareth Menezes e ainda o espetáculo cênico-musical ‘Kindembu’, os contemplados com ingressos demonstraram orgulho por terem sido lembrados e uma boa dose de ansiedade para conferir de perto o resultado das intervenções no espaço e, é claro, prestigiar a programação.

Parte dos convites foi destinada a participantes de projetos musicais desenvolvidos nas bases comunitárias de segurança (BCS), como o ‘Primeiro Som’, que atende aos moradores dos bairros do Calabar e Alto das Pombas. Ianei Sacramento, 18 anos, é um dos destaques do curso de iniciação musical na BCS Calabar. Ele disse que se sentiu privilegiado quando, juntamente com outros 12 alunos do curso, recebeu o convite com direito a acompanhante. “Eu e a galera ficamos bastante felizes. Se trata de Maria Bethânia, né? Um dos maiores ícones da Música Popular Brasileira”.

Policiais militares serão os responsáveis por levar os convidados à Concha e conduzi-los de volta aos bairros de origem. Professor voluntário do ‘Primeiro Som’, o soldado PM Uilson Silva, acredita que o convite mexeu com a autoestima dos jovens. “É um incentivo para que eles vejam, na prática, apreciem uma boa música, tenham acesso à cultura e percebam que os horizontes estão para todos”.

Colaboradores e pessoas atendidas por ações das Obras Socais Irmã Dulce (Osid), como o Grupo Renascer, formados por idosos, também ganharam convites. Angelina Ramos, 70, moradora do bairro do Rio Vermelho, disse que já foi muitas vezes na Concha Acústica, mas há muitos anos não vai ao local. “Já assisti a muitos shows de artistas antigos, como Waldikc Soriano. Poder retornar à Concha, agora, toda renovada, é muito bom. Dizem que está muito bonita. Fiquei feliz pelo convite”.

A auxiliar de higienização Maria do Carmo, 45, é uma das colaboradoras da Osid que trabalham diariamente, deixando tudo limpo para os pacientes. Ela disse que pulou de alegria quando soube que ia conferir como ficou a nova Concha. “Venho trabalhar e, quando sair daqui, vou me arrumar e ficar toda maravilhosa para o show. Estou toda arrepiada só em pensar. Muito emocionante esta oportunidade que estão dando pra gente ir ver o show. Nem sempre a gente tem condição [financeira] de ir”.

Crianças em tratamento no Hospital Martagão Gesteira e os respectivos responsáveis também terão a chance de ver os espetáculos que marcarão a abertura do novo espaço. É o caso de Gisele Brito, 25, mãe de João Paulo, 2. Eles são do município de Itabela, no sul do estado e estão abrigados no Núcleo de Apoio e Combate ao Câncer Infantil. Para fugir um pouco da rotina iniciada em novembro de 2015, quando João foi diagnosticado com leucemia, nesta sexta (13), mãe e filho também irão prestigiar o festival. “Vai ser minha primeira vez na Concha Acústica. Nunca vi um show de Maria Bethânia. Conheço apenas as músicas dela. Tenho certeza que será um grande sucesso. Estava precisando disso. A gente fica entre aqui [Nacci] e o hospital [Martagão Gesteira], com a cabeça cheia de problemas. É bom sair para descontrair. Agradeço a oportunidade”.

Promovido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura (Secult), o Festival Eu Sou a Concha tem patrocínio da Coelba, água de coco Obrigado e Banco do Brasil (BB).

Repórter: Jhonatã Gabriel