O foyer da Biblioteca Pública do Estado da Bahia, no bairro dos Barris, em Salvador, recebe nesta quarta-feira (4) a exposição ‘Viagem a Timbuktu – Fotografias de Edmond Fortier – Da costa da Guiné às margens do Saara em 1906’, dedicada à obra do fotógrafo francês Edmond Fortier (1862-1928). A mostra será aberta ao público às 18h e fica em cartaz até o dia 22 de junho próximo, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 21h, e aos sábados, das 8h30 às 12h.

Anônimo, Fortier viveu a maior parte de sua vida em Dakar, no Senegal e, há 110 anos, produziu mais de quatro mil imagens da África do Oeste, no início do século XX. Ele viajou mais de cinco mil quilômetros para chegar à cidade histórica de Timbuktu, porta do Saara, norte do atual Mali, o que deu origem à pesquisa e livro da historiadora Daniela Moreau (Edmond Fortier – Viagem a Timbuktu), que será lançado na Biblioteca.

Partindo de Conakry, na costa da Guiné, Edmond Fortier penetrou no interior da África do Oeste até alcançar Siguiri, visitando cerca de 100 localidades que hoje fazem parte das Repúblicas do Senegal, da Guiné-Conakry, do Mali, da Costa de Marfim e do Benin. As fotos foram tiradas no período colonial – entre 1900 e 1923 – sendo publicadas, depois, no formato cartão-postal.

Fortier foi um dos primeiros profissionais a fotografar Timbuktu, depois da ocupação francesa em 1894, e os negativos deste trabalho nunca foram encontrados. Nesta exposição, que chega a Salvador pela primeira vez, serão exibidos 52 destes postais em formato ampliado, promovendo o acesso à memória da África do Oeste e da história de seus povos.

Histórias e debates

Com a mostra, a pesquisadora e curadora da exposição, Daniela Moreau, reúne estes cartões-postais dispersos pelo mundo, os organiza e busca resgatar um passado pouco conhecido. “Nessa exposição são mostradas ampliações de imagens captadas por Fortier durante seu périplo de 1906, que o levou até à mítica cidade de Timbuktu, centro de saber islâmico, escala obrigatória do comércio inter-regional e local privilegiado de trocas culturais. Durante a viagem, Fortier captou imagens preciosas das atividades cotidianas de mulheres e homens, da sofisticada arquitetura em adobe e das paisagens dos entornos do rio Níger”.

Para os interessados em conhecer mais desta e outras histórias sobre a África, o Centro de Memória da Bahia da Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade da Secretaria de Cultura do Estado, à qual a Biblioteca está vinculada, realiza no auditório da instituição, um ciclo de conversas com renomados pesquisadores sobre a África, a exemplo de Paulo Fernando de Moraes Farias, professor honorário e fellow da Universidade de Birmingham, na Inglaterra; Nicolau Parés, professor da Universiade Federal da Bahia (Ufba) especialista em história e antropologia das populações da África ocidental; Luciane Ramos, antropóloga e bailarina e mobilizadora cultura; Mahfouz Ag Adnane, mestre em História Social e especialista em História Africana Contemporânea, além de Daniela Moreau.

Na Sala Walter da Silveira (Barris), está programada ainda exibição do documentário ‘Identities in Greater Senegambia and Beyond: Interdisciplinary Approaches Through History and Music in Dialogue’ (Identidades da Grande Senegâmbia e Além: abordagens interdisciplinares através da História e da Música em Diálogo), dirigido por Anna De Mutiis. O filme trata de um evento acadêmico-musical ocorrido na Inglaterra em junho de 2015, que reuniu músicos famosos da Guiné-Bissau, Mali, Senegal, Guiné-Conakry, e historiadores importantes como Boubacar Barry e Jose Lingna Nafafe. Mostra identitdades e maneiras de pensar história e culturas na África do passado e do presente. Será exibido ainda o filme ‘Keïta! l’Héritage du Griot’ (Burkina Fasso, 1995), dirigido por Dani Kouyaté. Após a exibição, haverá debate com o mestre em História Social pela Ufba, Carlos da Silva Junior.

A Curadoria

A curadora da exposição, Daniela Moreau, é historiadora e mestra em Ciências Políticas Realiza viagens de pesquisa ao continente africano desde 1995, principalmente na região do Sahel. Vive e trabalha em São Paulo, onde fundou e coordenou por dez anos a Casa das Áfricas. Atualmente, dirige o Acervo África, programa que disponibiliza para pesquisa uma coleção de mais de 1.500 peças da cultura material africana. Mais informações sobre a exposição estão disponíveis no site da FPC.

Fonte: Ascom/Fundação Pedro Calmon (FPC)