Nem todo mundo sabe, mas as placas fotovoltaicas instaladas no Estádio Roberto Santos (Pituaçu), que captam energia solar, além de abastecerem 100% do consumo do equipamento esportivo, têm o excedente abatido na fatura de energia do prédio onde funcionam as secretarias estaduais do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e da Administração (Saeb), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador. 
Para conhecer mais sobre a fonte de energia renovável, bem como a viabilidade e possibilidades de implantação de um sistema semelhante em outros órgãos do governo, técnicos da administração estadual participaram de uma palestra com o engenheiro elétrico Ricardo David na tarde desta segunda-feira (7), no auditório da Setre. 
Na oportunidade, o palestrante observou que, a exemplo do que ocorreu com a energia eólica (gerada a partir dos ventos), o Governo do Estado tem se empenhado para atrair investimentos que estimulem também a cadeia produtiva da energia solar. “Em todos os países onde a energia solar se desenvolveu, os governos foram os grandes indutores”, afirma. 
Na opinião da arquiteta Laura Matos, da Superintendência de Atendimento ao Cidadão (SAC), vinculada à Saeb, é importante que o poder público se aproprie de mecanismos que estimulem a sustentabilidade. “O Estado é o grande utilizador do uso destas tecnologias. Cabe ao Estado suprir a infraestrutura, seja de rodovia, de energia. Então, o Estado é o grande incentivador, provedor e, inclusive, financiador”.
O titular da Setre, Álvaro Gomes, explicou que o Estádio de Pituaçu foi o primeiro da América Latina a ser abastecido totalmente com energia solar. “É um sistema que gera uma economia para o Estado de R$ 120 mil por ano e pode ser reproduzido em outros órgãos estaduais”. 

Mapa Solarimétrico

Com o intuito de subsidiar e estimular investimentos na área de produção de energia solar, no início do ano, o Governo do Estado, por meio das secretarias de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e de Infraestrutura (Seinfra), firmou convênio com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), via Campus Integrado de Manufatura e Tecnologia (Cimatec), para elaborar o Atlas Solarimétrico da Bahia.
Na opinião de Ricardo David, a decisão de realizar o estudo detalhado sobre o potencial baiano para produção de energia fotovoltaica vai apontar com precisão os locais onde a energia solar é mais viável. “[O Atlas] é importantíssimo, não só para o Estado em si, mas [também] para a sinalização que vai dar para a sociedade, mostrando a ela onde as variações são mais frequentes e de maior intensidade”.

Repórter: Jhonatã Gabriel