Profissionais da Vigilância Epidemiológica e Sanitária da Atenção Básica do interior do estado passam por capacitação, nesta quinta-feira (3), para lidar com as doenças relacionadas ao mosquito Aedes aegypit, como a microcefalia e a síndrome de Guillain Barré. O treinamento e instrução acontecem simultaneamente com as campanhas e iniciativas do Governo do Estado no combate à proliferação do inseto, buscando reduzir o número de casos. Mas a ação tem o propósito também de atender aos pacientes acometidos das complicações da dengue, zika ou febre Chinkungunya.

Quem abriu o dia de capacitação, realizada no auditório da Secretaria de Educação do Estado, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador, foi o subsecretário estadual da Saúde, Roberto Badaró. Segundo ele, esse momento da saúde pública requer uma atenção especial e, por isso, esse chamamento dos profissionais. Porém, também deve haver um engajamento social para a diminuição desses casos, por meio do combate ao mosquito.

“O País está vivendo uma situação que é nova. Não tínhamos a noção da ocorrência de agravos em função da epidemia dessas doenças. Assim, as medidas clássicas de prevenção que já vínhamos fazendo precisam ser organizadas de forma diferente. Precisamos identificar os casos, como aplicamos no sistema para notificação de microcefalia, além de acompanhar e oferecer o suporte para essas pessoas. Estamos passando por uma remodelagem para atender às necessidades de todos esses casos”.

A capacitação desta quinta envolveu profissionais de Núcleos e Bases Regionais de Saúde, que se tornarão multiplicadores dos conhecimentos no interior, como o sanitarista Helder Coutinho, de Juazeiro, na região norte, onde há uma maternidade de referência, um neuropediatra para os casos de microcefalia, mas outras formas de acompanhamento serão organizadas. “Temos estruturado a notificação imediata, com o sistema do Ministério da Saúde e as mães com bebês com microcefalia deixam a maternidade já com a consulta marcada. Agora, estamos trabalhando para viabilizar os exames de imagem e o acompanhamento dessas mulheres e crianças”.

Doação de sangue

A incidência de casos de dengue, zika e chikungunya pode também estar diminuindo o número de doadores nos bancos de sangue da cidade. Para a diretora da Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Estado da Bahia (Fundação Hemoba), Iraildes Santana, não há motivos para os doadores se afastarem, apenas alguns cuidados podem e precisam ser tomados.

De acordo ainda com a diretora, as pessoas que foram diagnosticados clínica e laboratorialmente ou apresentaram os sintomas dessas doenças devem esperar um período de 30 dias para realizar a doação. “Essa é uma medida de segurança apenas, e seguindo esses critério não há porque evitar a doação”.

Para incentivar a doação e numa mobilização por melhorias na universidade, mais de 100 estudantes de Medicina foram à Hemoba nesta quinta. Enquanto estava sendo atendido, Kevin Gomes disse que “o momento é de reunir amigos e família e fazer a doação. “É uma atitude fundamental, ainda mais com esses acontecimentos recentes da dengue, zika e chikungunya, pois já há uma carência natural e, com a quantidade de pessoas que ficam temporariamente sem poder doar, aumenta ainda mais a responsabilidade”.

Repórter: Ana Larissa Falcão