Os mais de 100 anos de luta por igualdade, respeito e oportunidade garantiram às mulheres conquistas importantes que mudaram o rumo da história. Os triunfos obtidos ao longo do tempo, como o direito ao voto e as melhores condições de vida e trabalho, foram comemorados na manhã desta terça-feira (8), no Centro Social Urbano do bairro do Nordeste de Amaralina, em Salvador. Atividades de lazer homenagearam o público feminino na data em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher. 
Pessoas de todas as idades aproveitaram para se divertir com aulas de hidroginástica e dança. “É maravilhoso receber esse carinho. A gente se sente valorizada com a atenção das pessoas neste dia importante para as mulheres”, afirma a aposentada Valdivina Santana, 59 anos. 
Todo mundo suou a camisa com as atividades recreativas. Crianças, mulheres e até os homens aproveitaram cada momento. O Dia Internacional da Mulher foi mais um motivo para fortalecer a igualdade de gênero. Para o motorista Vitor Souza Santos, 60, participar do evento é também uma maneira de homenagear as mulheres. “Nós, homens, temos que participar mais dos momentos felizes das mulheres. Dancei com várias hoje e tenho consciência que além de me divertir, ajudei a animar muita gente”.  
Apesar do clima de festa, a data não é apenas de comemoração. É o momento de discutir o papel da mulher na sociedade. No evento, resultado de uma parceria entre as Bases Comunitárias de Segurança (BCS) do Nordeste de Amaralina e da Chapada do Rio Vermelho, palestras reforçaram o potencial feminino. 
A assistente social Laís Souza, uma das palestrantes, já conquistou a graduação e hoje faz MBA em saúde mental em São Paulo. Aos 29 anos, ela defende que toda a mulher tem o direito e a capacidade de escolher o próprio futuro. “As limitações às vezes estão dentro de nós. A gente sempre ouviu que para a mulher é sempre mais difícil conseguir as coisas, e talvez seja mesmo. No entanto, a mulher tem a força para lutar e conquistar o que quiser. Só depende dela mesma”, explica Laís.   
Mudança de concepção
O trabalho de conscientização realizado no Centro Social Urbano é preventivo e mune de conhecimento quem realmente pode mudar o futuro. Aos nove anos, Ana Flor sabe que não é fácil ser mulher em meio a uma sociedade machista, mas não teme os desafios que terá pela frente. “A mulher é capaz de realizar todos os sonhos dela. Ela pode ter filhos, ser dona de casa, ou trabalhar no que tiver vontade”, opina a garota. 
Os padrões de beleza também foram debatidos ao longo do evento. Quem disse que uns quilinhos a mais não torna uma mulher bonita? Para a coordenadora do movimento Vai Ter Gorda, Iracema Muniz, 40, “uma pessoa estar acima do peso não significa que ela é doente. Existem muitas mulheres gordas que são saudáveis e que podem ser atraentes”. 
Criado em 2012, o Vai Ter Gorda surgiu em uma praia de Santos, cidade da Grande São Paulo. O movimento contesta a padronização da beleza e defende o auto-respeito. No ano passado, a iniciativa atraiu o concurso A Mais Bela Gordinha do Brasil para o território baiano. A segunda edição do evento na Bahia está marcado para maio de 2016.  
Música, alimentação e mais homenagens
As homenagens não se resumiram ao bairro do Nordeste de Amaralina. Quem almoçou no Restaurante Popular do Comércio, nesta terça-feira (8), teve a oportunidade de se deliciar com uma refeição saudável e saborosa e desfrutar de uma boa música. Embora o cardápio tenha sido mantido, a orquestra de violões do grupo Neojiba animou o estabelecimento, que serve diariamente mais de 2,5 mil pratos abastecidos com alimentos da agricultura familiar do interior do estado. 
A representante comercial Janaína Andrade, 43, tem o hábito de almoçar no restaurante e ficou contente com a surpresa. “A gente chega para almoçar e tem música de qualidade e comida de qualidade. Isso é o bastante para passar o resto do dia bem”, comemora. 

A ação, promovida pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), também ofereceu serviços de saúde, dicas de alimentação, além de limpeza de pele e maquiagem. Todo o amparo às mulheres, que contou com o apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e Voluntárias Sociais da Bahia (VSBA), foi o suficiente para garantir um dia de princesa. “Fiquei lisonjeada. Esta é a primeira vez que venho aqui e estou muito feliz com a forma que estão me tratando”, comentou a baiana de acarajé Mônica Carvalho, 43, que mora em Simões Filho. 
Repórter: Leonardo Martins