Algumas das principais peças do vestuário do povo afrobrasileiro produzidas pelo projeto “Axó Odara: Rede Solidária de Trajes e Adereços do Axé”, da Associação Ilê Axé Yepanda Odé, foram apresentadas em um desfile, na última quarta-feira (30), que marcou a inauguração de um galpão de costura e uma cozinha comunitária no município de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano. Os equipamentos foram construídos e equipados com recursos da ordem de R$ R$ 627 mil do Edital 001/2014 de Apoio a Empreendimentos de Economia Solidária de Matriz Africana, da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte do Estado (Setre).

Formada por mulheres produtoras rurais da comunidade de Baixa do Morro, distante 23 quilômetros do centro comercial do município, a Associação Ilê Axé Yepanda Odé comemorou as duas conquistas proporcionadas pelo convênio com a Setre. Emocionada, a yalorixá Mãe Nilza disse: “Não é fácil trabalhar com o social. Às vezes, não encontramos o apoio das pessoas e nem o retorno dos pedidos. Mas, o Governo do Estado, através da Setre, acredita no trabalho que realizamos em defesa das conquistas sociais e nos deu esta ajuda pela via da Chamada Pública”.

Respeitada pela sua liderança combativa, ela continua: “Trabalhamos ainda para mostrar que o candomblé tem a preocupação com o outro, mesmo que o outro não seja das nossas crenças e da nossa fé”. E revelou: “A Setre nos deu as máquinas de costura e toda infraestrutura, como tecidos, linhas e agulhas. Agora, queremos oferecer cursos gratuitos à comunidade para homenagear a Dulce Ferreira Nascimento, minha mãe, que, até aos 86 anos de idade, ensinava Bordado de Barafunda”.

Representando o governador Rui Costa no evento, o secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Álvaro Gomes, afirmou: “o Estado precisa valorizar esse trabalho de economia solidária, que aqui é desenvolvido por Mãe Nilza. Nós, da Setre, trabalhamos pela transversalidade das ações, procurando utilizar dos recursos em prol das comunidades menos favorecidas e fazendo mais com menos”.

O titular da Setre ainda destacou o esforço que vem sendo feito pelo resgate e preservação da cultura afrobrasileira, “que é tão importante para todos nós quanto à geração de renda e trabalho em ações de empreendimentos desse segmento”, disse.

Homenagem

Dulcinha, como Dulce Ferreira Nascimento era conhecida pelos artesãos baianos, ensinava pelo extinto Instituto Mauá a transformar buraco de roupas em ponto de flores, bainha aberta, cravos, asa de mosca e outras tantas teceduras, trabalho realizado pelas negras escravizadas nos tempos coloniais do Brasil. O galpão de costura homenageia seu nome.

Matriz Africana

Na seleção pública de 2014, o Governo do Estado investiu um total de R$ 8,4 milhões em 35 projetos, beneficiando aproximadamente quatro mil pessoas. O edital 001/2014 teve como objeto geral de seleção as diferentes formas de manifestação e expressão presentes nos espaços socioculturais de matriz africana, tais como comunidades quilombolas, blocos afros e terreiros de religiosidade afrobrasileira.

A Associação Ilê Axé Yepanda Odé – uma das selecionadas – desenvolve desde 2012 o projeto “Tecendo Renda, Cultivando Esperança”, capacitando mulheres por meio de oficinas de modelagem e corte e costura, com cursos de duração de 200 horas. Atualmente, o grupo de artesãos está produzindo 800 peças para exposição, como etapa final do projeto. Toda renda será revertida para um Fundo Rotativo Solidário.

Fonte: Ascom/Setre