A primeira reunião para instalação do Conselho Gestor da Festa do Bembé do Mercado será realizada na segunda-feira (21), às 10h, no Teatro Dona Canô, em Santo Amaro, cidade localizada no Recôncavo baiano, a 78 quilômetros da capital. A manifestação é registrada como patrimônio imaterial da Bahia desde 2012, a partir de pesquisas e proposta do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), da Secretaria Estadual de Cultura (Secult). A Festa do Bembé acontece há 126 anos, na semana do dia 13 de maio, quando comemora a libertação dos escravos, ocorrida em 1888.

“Esta reunião é uma das ações de salvaguarda para garantir a permanência e proteção do bem cultural no espaço público e, a partir disso, o conselho fará a gestão da sua realização”, afirma o diretor geral do Ipac, João Carlos de Oliveira. Às 14h, ele, acompanhado por técnicos do órgão, fará uma visita técnica à Igreja do Convento do Recolhimento dos Humildes, onde o instituto restaura bens móveis.

Desse trabalho de restauro do Ipac já estão prontos confessionários de madeira e banquetas para apoio de objetos litúrgicos (sagrados). O trabalho foi realizado pela coordenação de Restauro de Elementos Artísticos (Cores) do Instituto. “Ainda existem tocheiros que estão em fase final de restauro, na reintegração final de estética. São originários dos séculos XVII, XVIII e XIX, alguns, portanto com até 400 anos”, explicou o subgerente da Cores, Cláudio Brito.

Abolição

Segundo o gerente de Patrimônio Imaterial do Ipac, Roberto Pelegrino, a instalação do Conselho do Bembé visa monitorar esse bem cultural imaterial. “O objetivo é pontuar qual foi o resultado da proteção do Bembé do Mercado”, diz Roberto. Durante o evento, mais de 40 terreiros de candomblé vão às ruas. Acontecem cantos aos orixás, xirês e danças. “É o candomblé que é levado à rua, no largo do mercado da cidade. O Bembé comemora a abolição da escravatura e afirma a cultura africana”, explica o gerente do Ipac.

Fonte: Ascom/Ipac