O toque do atabaque, do berimbau e a letra da música cantada na roda de capoeira – zum zum zum, capoeira salva um – traduzem o objetivo do projeto ‘Esporte e Lazer: Inclusão que Transforma’, desenvolvido pelo Movimento de Cultura Popular do Subúrbio (MCPS), e apoiado pela Superintendência de Desportos da Bahia (Sudesb), órgão vinculado à Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). São 1.400 vagas e, com exceção da ginástica para adultos e idosos, ainda é possível matricular crianças e adolescentes nas demais modalidades. As aulas acontecem nos centros e quadras públicas do Parque São Bartolomeu, onde, nesta sexta-feira (22), aconteceu o lançamento oficial do projeto, que também ocorreu em Rio Sena e Pirajá.

O mestre Rildo Santos disse que a capoeira interage com a juventude, levando educação e disciplina. “Eu comecei como estes jovens, brincando. Hoje sou professor no projeto, a capoeira é a minha profissão. Ela pode salvar toda a criançada da criminalidade, faz bem para o corpo e para a alma”. O aluno Jorge Antônio dos Santos, 16 anos, afirma que a capoeira representa axé, cultura, entre outras coisas. “A atividade me ensina muita coisa, às vezes estou sem fazer nada em casa, em vez de ficar à toa, fazer o que não presta, procuro o mestre Rildo e venho praticar”.

O diretor de Fomento da Sudesb, Márcio Lima, diz que o trabalho faz parte de 20 convênios, cumprindo uma diretriz do Governo, por meio do programa Pacto pela Vida. “Trabalhar o esporte associado às ações do Pacto Pela Vida funciona como um antídoto para a ociosidade que leva os jovens a trilhar caminhos tortuosos. Estes projetos atendem comunidades com vulnerabilidade social em Salvador, Porto Seguro, Vitória da Conquista, Santo Antônio de Jesus, entre outros. São 20 convênios que atendem 20 mil pessoas e que trabalham na origem dessa vulnerabilidade social”.

O projeto inclui nove modalidades de esportes, oito para crianças e adolescentes e uma de ginástica para a terceira idade. O boxe e o karatê estão entre as mais procuradas. A dona de casa Kátia de Medeiros é mãe de Felipe, cinco anos, faixa vermelha. “Como a professora dele diz, o karatê é um estilo de vida. Ele procura levar o que aprende na atividade para dentro de casa, para a escola, o respeito ao próximo e pelos coleguinhas, tudo isso ele trouxe do karatê”. Felipe, apesar de tão novo, também já sabe dizer o que gosta no treino. “É um treino muito bom que a professora me traz. Eu aprendo a me defender, e não é pra atacar os outros”.

Inscrições

Para se inscrever, os interessados devem comparecer de segunda a sexta-feira, de 9h às 11h30 e de 13h30 às 17h, na sede do MCPS (Rua São Bartolomeu, nº 1190), no Centro de Cultura e Cidadania Pirajá (no bairro de Pirajá) ou na Padaria Panigel (no bairro de Rio Sena), locais onde foi montado um espaço para atendimento ao público. É necessário levar uma fotografia 3×4, além do registro de identidade (RG) e do CPF e, no caso de menores de idade, apresentar RG e CPF do responsável.

Parque São Bartolomeu

O lançamento foi realizado no centro de referência do Parque São Bartolomeu, que passou por um processo de requalificação e reúne, em uma vasta área verde, cachoeiras, símbolos do reino de oxum e plantas sagradas, como a espada de ogum. O parque é cultuado pelo povo de santo, que deixa sinais da sua fé e das suas práticas, assim como a natureza também perpetua seus rituais. “As pessoas achavam que não podiam entrar no parque, um equipamento da época do império que ficou muito bem organizado. Este tipo de projeto traz a população para dentro do parque. A ideia é ocupar estes espaços com projetos sociais para as pessoas desfrutarem desse equipamento de tamanha qualidade”, destacou Márcio.