Bebês com microcefalia vão ser examinados gratuitamente, durante mutirão no Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), na próxima segunda-feira (21), pelo médico oftalmologista, especialista em retina, Bruno de Paula Freitas, e sua equipe. Ele já identificou três casos entre recém-nascidos já avaliados em Salvador.

A avaliação oftalmológica é destinada apenas a pacientes com microcefalia – malformação do crânio e cérebro, que são pequenos em relação aos de bebês da mesma idade e sexo. O atendimento ocorre, a partir das 7h, no Ambulatório de Oftalmologia, instalado no Ambulatório de Multiespecialidades, no térreo do Anexo do hospital, próximo à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Cabula.

As mães devem levar a Certidão de Nascimento, comprovante de residência e cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) dos bebês para efetuar o cadastro, além de todos os exames já realizados nas crianças, e também nas mães durante e após a gravidez.

Nervo ótico

Além do exame oftalmológico e de outros complementares para melhor documentação dos achados, as mães vão ser orientadas para o acompanhamento, como explica o oftalmologista Bruno Freitas. Segundo ele, nada existe na literatura médica relacionando problemas oculares em bebês com microcefalia provocada pela zika.

“Tudo ainda é muito novo. Mas, nos casos estudados, quando fizemos avaliação do fundo de olho com exame de oftalmoscopia, ou mapeamento de retina, detectamos alterações atingindo o nervo ótico. Em contato com outros colegas, eles disseram já ter observado isso”, diz o médico.

O médico ressalta que não está definida relação causal entre a infecção por zika vírus e as alterações em fundo de olho nos bebês com microcefalia, daí ser oportuno examinar o maior número possível de pacientes que apresentam malformação. “Outras doenças, como toxoplasmose, rubéola congênita e citomegalovírus, podem causar essas alterações”.

Para exames mais detalhados em bebês, particularmente recém-nascidos, é necessário utilizar o aparelho chamado Retscam para fotografar a retina. Um equipamento deste tipo, cedido pelo médico Rubens Belfort, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), vai ser usado no mutirão.