O segundo dia do I Seminário Internacional de Herança Intelectual Africana, promovido pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia, foi marcado por debates sobre o tema “Religião e Ancestralidade” e oficina sobre “Experiência exitosas de aplicação da Lei 10.639/03” e “Educação para as relações étnico-raciais”. As atividades aconteceram nesta quarta-feira (2), no auditório da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e no Instituto Anísio Teixeira (IAT), respectivamente, em Salvador, com a participação de professores, universitários, adeptos das religiões de matriz africana e militantes de movimentos sociais.

Como parte do Programa Educar para Transformar – um Pacto pela Educação, o Seminário tem como objetivo contribuir com a organização do trabalho pedagógico dos professores em torno dos temas de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, além de apresentar resultados dos trabalhos já desenvolvidos sobre herança cultural africana, incentivar mais pesquisas sobre a temática e permitir acessibilidade a conteúdos relativos à contribuição dos povos africanos.

A professora de antropologia da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Cristiane Souza, mediou a mesa redonda sobre “Religião e Ancestralidade”, no auditório da Uneb. “O debate da religião voltou a ter uma relevância, principalmente, pensando no termo de ancestralidade como um aspecto importante na construção da identidade afro-brasileira e da relação com o continente africano”, disse a mediadora.

O mestre em letras vernáculas e babalorixá Ruy Póvoas, que participou da mesa redonda, ressaltou a importância do tema. “A memória, a história e a ancestralidade não podem e não devem ser ultrapassadas. É claro que se deve ir adiante; nunca, porém, deixá-las para trás. Ou vai tudo junto, ou a intelectualidade correrá o risco de abandonar as raízes do próprio povo. E se assim ocorrer, passaremos a falar sobre um povo ao qual não pertencemos mais", explicou.

Oficina

No Instituto Anísio Teixeira, um grupo composto por 30 pessoas, dentre elas professores e interessados na temática, participou de uma oficina sobre as relações étnicos-raciais e experiências exitosas de aplicação da lei que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira nas escolas de Ensino Fundamental e Médio (Lei 10.639/03). A atividade foi ministrada pela coordenadora de Educação para a Diversidade, da Secretaria da Educação do Estado, Érica Capinan, e pelo professor Basilon Carvalho, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi).

De acordo com Érica, o objetivo da oficina foi refletir sobre as experiências vivenciadas na caravana educativa, que passou ao longo do ano pelos 27 Núcleos Regionais de Educação (NRE). “Nosso foco foi a metodologia dialogada e participativa, onde conversamos como foi a caravana, apontando diagnósticos do que a gente percebeu, trazendo desafios e perspectivas para a implementação da Lei 10.639/03. Num segundo momento, os participantes foram divididos em subgrupos para apresentarem algumas possibilidades de implementação da lei, que vem sendo trabalhada de forma pontual, a partir de experiências e motivação de professores isolados”, destacou.

Programação

O I Seminário Internacional de Herança Intelectual Africana ainda acontece nesta quinta (3), no auditório da Uneb, e, na sexta-feira (4), será realizada uma reunião de articulação da rede de pesquisa sobre a Herança Intelectual Africana. Confira a programação completa e demais informações no blog do evento: rephiafrica.blogspot.com.br.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Secretaria da Educação do Estado da Bahia