Uma sala de projeção foi montada na Arena Fonte Nova, dentro do 4º Encontro Estudantil da Rede Estadual, promovido pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia. Como em um verdadeiro cinema, os estudantes puderam exibir os 15 curtas metragens, de cinco minutos, produzidos por eles, na 3ª Mostra de Vídeos Estudantis (Prove). A mostra resulta da experiência fílmica desenvolvida pelos estudantes, em 840 escolas, da capital e interior do estado, com produções que passaram por seletivas escolares e regionais.

Os experimentos cinematográficos abordam questões que transitam entre a realidade cotidiana e a ficção. Os vídeos vencedores foram Velha Juventude, Draw my Life e Nomofobia. Além disso, mais três curtas se destacaram e foram reconhecidos com menção honrosa: Namoro e Casamento Tradicional Indígena Pataxó, Mídia Sensacionalista e Grito de Liberdade.

Reconhecimento

Danilo Nunes Freire, 17 anos, do 3º ano do Colégio Teotônio Marques Dourado Filho, de Morro do Chapéu, um dos idealizadores do curta Velha Juventude, ficou radiante com a conquista. “Foi um trabalho muito intenso porque cada um se envolveu na produção, edição, filmagem e atuação. Nossa ideia foi mostrar que hoje, com o uso em excesso do celular, não se conversa mais corpo a corpo”, destacou.

Representando o vídeo Draw my Life, o aluno Alef de Jesus, 19 anos, do 3º ano do Colégio Estadual Professor Rocha Pita, situado em Aratuípe, afirmou que “é muito bom ter esse reconhecimento porque trabalhamos muito no processo de produção, com muita dedicação, e nosso vídeo é uma homenagem à cultura da nossa cidade”.

De acordo com um os produtores do curta Nomofobia, Bruno de Araújo Santos, 17 anos, do 3º ano do Colégio Luís Eduardo Magalhães, localizado em Caraíbas, participar do encontro foi recompensador. “O vídeo retrata o vício em celular. No processo de pesquisa, acabei percebendo que eu também tinha esse vício e, por isso, vivo o personagem do filme”, explicou o estudante.

Apreciação do júri

“Venho acompanhando o Prove há três anos e percebo que a cada ano que passa as produções audiovisuais estão mais maduras, com melhor acabamento e aprofundamento das discussões”, ressaltou o jurado Humberto Alves Junior, que é doutor em Sociologia e especialista da obra do cineasta Glauber Rocha.

Para o ator Caco Monteiro, é através desses experimentos que surgem novos cineastas. “Acho muito importante a escola trabalhar isso com os estudantes, porque o ensino está se construindo também dando valor à arte”, disse o jurado. Ele também afirmou que “participar do júri é muito enriquecedor porque temos a possibilidade de analisar a escolha do tema, enquadramentos de cenas, como foi narrada a história, atuação, roteiro, cenários e demais elementos”.