Como parte da programação do 4º Encontro Estudantil da Rede Estadual, promovido até esta sexta (4), na Arena Fonte Nova, em Salvador, pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia, acontece o 4º Encontro da Educação Profissional: Trabalho e Emancipação. A atividade proporciona um diálogo com o conhecimento produzido na rede estadual de educação profissional da Bahia, a segunda maior rede estadual na oferta de cursos técnicos de nível médio do país, com 75 mil estudantes matriculados.

Estudantes, professores e gestores participam do Encontro, abordando temas como trabalho-educação, juventudes, mundo do trabalho, formação e educação profissional. Abordam ainda desafios do mundo contemporâneo para a inserção cidadã dos jovens no mundo do trabalho, a realidade baiana e o contexto global. Outro tema tratado nas mesas de interesse foi a necessária articulação dos futuros técnicos com o lugar onde vivem e onde irão trabalhar.

“Os estudantes, hoje, têm nas mãos o desafio de fazer com que o seu protagonismo no mundo do trabalho seja respeitado. Para isso, é preciso fortalecer as parcerias nos setores públicos e privados, visando oportunidades de trabalho no seu próprio Território de Identidade”, defendeu o estudante do curso de Guia de Turismo Centro Estadual de Educação Profissional (Ceep) do Leste Baiano de Santo Amaro, Francisco Eleno Freitas, 19 anos.

O 4º Encontro da Educação Profissional, realizado nos três dias do Encontro Estudantil, é um rico processo de ensino e de aprendizagem para os envolvidos, como atesta o diretor do Centro Estadual de Educação Profissional do Leste Baiano de Santo Amaro (Ceep), Cristiano Vitório. “A Educação Profissional vem estabelecendo um empoderamento do jovem, na medida em que fornece uma formação específica por meio dos diálogos com todos os parceiros do mercado do trabalho, construindo, assim, a identidade do mundo do trabalho”.

Projetos inovadores

As estudantes Dinara Santos e Samile Souza, ambas de 16 anos, do curso técnico em Agroindústria, do Centro Estadual de Educação Profissional (Ceep) Pio XII, no município de Jaguaquara, provaram que a cinza colhida em pizzarias à lenha são poderosos fertilizantes naturais. A experiência foi trazida para a 3ª Feira de Tecnologias Sociais da Educação Profissional – da qual estão expostos em estandes temáticos e por Território de Identidade 289 projetos desenvolvidos por 600 estudantes e 300 gestores e professores da rede.

“A cinza é descartada indevidamente porque as pessoas desconhecem o seu potencial em zinco, ferro, potássio e magnésio, que ajudam no desenvolvimento das plantas. Fizemos uma experiência com vasos de coentro e constatamos que os que receberam fertilizante químico não cresceram tão viçosas como as que foram fertilizadas com as cinzas”, contou Dinara Santos, uma das integrantes do projeto ‘Reaproveitamento das cinzas dos fornos de pizzarias como fertilizantes naturais’. A colega Samile completou: “Estamos muito felizes pela oportunidade de mostrar no Encontro Estudantil um projeto ecológico que já está trazendo benéficos para agricultores rurais da nossa região”.

Dentro da diversidade temática da feira, a produção alimentícia é foco da experiência de estudantes do curso técnico em Agroecologia, do Centro Territorial de Educação Profissional (Cetep) da Baia do Paramirim, no município de Macaúbas, situado no Alto Sertão baiano. “Buscando alternativas para minimizar os efeitos da seca, desenvolvemos o Projeto Alimentar, cujas ações consistem na implementação de uma prensa para fenação e um cortador de palmas (vegetal utilizado na alimentação dos rebanhos), feitos com madeira reaproveitável. As ferramentas visam melhorar a eficiência do trabalho dos pequenos produtores”, explicou o professor Ilvano Fagundes, orientador das estudantes Cleidiana Almeida, 17 anos, e as gêmeas Geusa e Géssica Santos, 18 anos. “Já testamos em várias propriedades e os produtores rurais demonstram bastante interesse em aplicar a nossa técnica”, comemorou Cleidiana.

Já a saúde comunitária é tema do projeto ‘Educação continuada dos agentes comunitários de saúde: calendário básico de vacinação’, executado por estudantes do curso técnico de enfermagem do Colégio Polivalente de Jequié. “Nos nossos estágios no campo as saúde coletiva, percebemos que as cadernetas de vacinação das crianças são incompletas. Nosso trabalho é o de desenvolver a capacitação dos agentes, por meio de discussões e dinâmicas, sobre a importância de conscientizar a população em relação ao calendário básico de vacinação, evitando que as crianças fiquem desprotegidas”, explicou a estudante Caroline Admares, 17 anos.