Retratar, em cores ou em preto e branco, a realidade social, econômica e ambiental do País ou, então, as belezas naturais e do povo da Bahia. É dessa forma que os estudantes da rede estadual envolvidos no Projeto de Artes Visuais Estudantil (AVE), impressionam o público participante do 4º Encontro Estudantil da Rede Estadual, promovido pela Secretaria da Educação do Estado, até esta sexta-feira (4), com entrada franca, na Arena Fonte Nova, em Salvador.

Ao todo, 93 obras estão sendo expostas e já foram submetidas ao olhar criterioso de especialistas, que escolheram as cinco melhores. O artista plástico Jessé Santos ficou encantado com a riqueza de detalhes dos quadros e esculturas produzidos pelos estudantes finalistas do AVE. “Estou muito feliz com o resultado dos trabalhos apresentados pelos estudantes pelo fato de serem jovens se iniciando nas artes plásticas, mas com muito talento. São temas atuais, como a exploração infantil e, tradicionais, ao se contemplar o regionalismo cultural por meio de tinta guache, gravura e grafite”, ressalta um dos jurados.

A professora de Literatura, Ana Rosa Neves Ramos, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), acredita que “os estudantes têm na Literatura a base para traduzir as suas ideias, pois ampliam a visão de mundo ao exercitarem o talento e criatividade, explorados de inúmeras formas. Isso, para eles, é algo que desperta e incentiva a acreditar no seu potencial e na transformação que a educação traz”.

Reconhecimento

O estudante Marcos Galdino, do 3º ano do Colégio Estadual Polivalente de Irecê, foi um dos cinco vencedores da mostra do AVE. Em sua obra, “Exploração Infantil: um mundo sem cores”, ele utilizou tinta guache, caneta preta, grafite e corretivo para imprimir a sua crítica social. “Na tela, podemos ver crianças criminalizadas e exploradas em preto e branco, em contraste com as cores representadas pelos elementos da infância perdida”.

Outros estudantes selecionados foram Jean Dourado Santos e Alessandro Oliveira Guimarães, do 3º ano, dos cursos técnicos em Administração e em Agroecologia, do Centro Territorial de Educação Profissional da Bacia do Paramirim (Cetep), localizado em Macaúbas. Eles apresentaram um oratório confeccionado em madeira intitulado de ‘A força que nunca seca’. “Mostramos a vida alegre e ao mesmo tempo complicada do nordestino, que não perde a esperança e está sempre sorrindo e cantando; Por isso, evidenciamos as diversas cores que vão além da paisagem da seca”.

Teotônio Ferreira, professor de Artes e responsável pela orientação do oratório da dupla, se disse entusiasmado com o resultado. “Nosso foco foi valorizar os objetos de patrimônio artístico dentro de uma temática folclórica, retratando as peculiaridades do Nordeste e a tradição religiosa da cidade de Macaúbas [no centro sul]. Estou muito satisfeito com o reconhecimento do público e dos jurados”.

Raí Bomfim de Jesus, 17, 3º ano, do Colégio Estadual Luís Eduardo Magalhães, situado no município de Fátima (nordeste), ficou surpreso com o resultado. “Estou muito contente pelo reconhecimento porque a técnica da Xilogravura é pouco conhecida e isso vai contribuir para que esse tipo de arte seja mais divulgada e valorizada”. Ele é o autor do quadro ‘Percalços’.

Fonte: Ascom/Secretaria da Educação do Estado