Os beneficiários do Corra para o Abraço passaram a tarde de segunda-feira (21) envolvidos com a sétima arte. Eles assistiram ao filme ‘O Tempo dos Orixás’, da baiana Eliciana Nascimento, e depois interagiram com a cineasta, na sala Alexandre Robatto, na Biblioteca Pública dos Barris, em Salvador, numa programação de confraternização organizada pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do Estado (SJDHDS), em parceria com o Centro de Referência Integral de Adolescentes (Cria).

Resultado da tese de mestrado em cinema, realizada pela San Francisco State University na Califórnia, ‘O Tempo dos Orixás’, é um curta de gênero fantasia, filmado em Salvador e em Ituberá, no sul do estado, que conta a experiência de Lili, uma menina de 7 anos que tem a habilidade de se comunicar com os ancestrais. Para preservar a tradição ancestral do Candomblé, os Orixás a introduzem em uma aventura mágica que simboliza a sua iniciação religiosa.

Durante o bate papo promovido depois da exibição, a roteirista e diretora falou sobre o processo de elaboração do filme, a superação dos desafios, além da importância da preservação das religiões de matriz africana, mostrando o cinema como uma ferramenta de inclusão social e interação entre grupos populacionais que vivem em situação de vulnerabilidade social.

Prêmios

Ganhadora de cinco prêmios de cinema nos Estados Unidos e Cabo Verde, entre eles, o de melhor diretor e melhor curta de ficção, Eliciana nasceu no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Antes de morar nos Estados Unidos, ela fundou a sua própria produtora de cinema a Candace Cine Vídeo, “uma forma de que é possível superar obstáculos de classe, gênero e raça”.

“É um filme extremamente sensível, que revela a simplicidade dessa religião, com toda uma complexidade mas, ao mesmo tempo, é uma religião muito do cotidiano, da proximidade, principalmente, com a natureza”, ressaltou a coordenadora do Corra para o Abraço, Eleonora Rabello. Segundo ela, a obra traz uma mensagem forte que afirma a importância da autenticidade de cada pessoa, mas sempre levando em conta a sua história, tendo a ancestralidade como referência.

A diretora de gestão da Superintendência de Prevenção e Acolhimento aos Usuários de Drogas e Apoio Familiar da secretaria, Emanuelle Silva, disse que a ideia da exibição do filme surgiu do desejo de possibilitar às pessoas participantes do projeto o acesso a exemplos de positividade e superação, como a história de vida da cineasta que esteve, durante sua infância, numa linha tênue entre a infração e a legalidade.

‘O que fez a diferença para a cineasta, mais do que ter tido oportunidade, foram as condições que teve de aproveitar essas oportunidades e é o que tentamos fazer com as pessoas atendidas pelo Corra para o Abraço – que elas possam ter acesso às políticas públicas e tenham, minimamente, condições e qualidade de vida, mesmo que estejam na rua, mas que superem a lógica da violações de direitos e das discriminações”, afirmou a diretora. Entre os beneficiários do projeto e muito atento à projeção e ao bate-papo, Navarra, elogiou a iniciativa. “Gostei muito. Esse filme representa a raça e a força de vontade da cineasta. É um exemplo de superação para todos os que estão em situação difícil”.

Corra pro Abraço

Realizado pelo Governo do Estado em parceria com o Cria, o projeto foi criado em 2013, mostrando-se exitoso no âmbito da redução de danos. Implementado pela Superintendência de Políticas Sobre Drogas e Acolhimento a Grupos Vulneráveis, tem como foco a promoção da cidadania e reinserção social dos usuários de substâncias psicoativas (SPA’s) em situação de rua, por meio de atividades de formação de vínculo, como atividades sociais, artísticas e educacionais, oficinas de prevenção ao uso de drogas, assistência jurídica e encaminhamento à rede de atendimento.

Fonte: Ascom/Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do Estado (SJDHDS)