Uma das manifestações populares religiosas mais antigas e permanentes da Bahia, a Festa de Santa Bárbara completa em 2015 374 anos. Devotos brasileiros e até de fora do Brasil chegam anualmente em Salvador no 4 de dezembro para participar do festejo que, devido a sua importância, desde 2008, é um Patrimônio Imaterial da Bahia.

A festa remonta o ano de 1639, quando o casal Francisco Pereira e Andressa Araújo construiu uma capela devocional no bairro do Comércio, às margens da Baía de Todos os Santos. Com o tempo, o espaço se transformou em Mercado de Santa Bárbara. Atualmente, a travessa com nome da santa fica onde está o prédio do antigo Banco Econômico, próxima à Praça da Inglaterra.

De acordo com a antropóloga do Ipac e autora do artigo “O Culto a Santa Bárbara na Bahia”, Nívea Alves, depois de incêndios no mercado do Comércio, foi inaugurado, em 1874, um novo Mercado de Santa Bárbara, na Rua da Vala, que depois veio a ser chamada de Baixa dos Sapateiros ou Avenida José Joaquim Seabra. “Esse mercado tinha Nossa Senhora da Guia como padroeira, mas mudou para reverenciar Santa Bárbara”, afirma Nívea. A partir daí, a festa começa a ser realizada no Pelourinho.

Segundo dados da pesquisadora, depois de sair do Comércio, a imagem da santa foi para a Igreja do Santíssimo Sacramento, na Rua do Passo, perto do Largo do Carmo. “A partir de 1987 a imagem passou a ser guardada na Igreja do Rosário dos Pretos”, explica a antropóloga.

Atualmente, após a missa campal celebrada no Largo do Pelourinho, começa uma procissão que percorre ruas do Centro Histórico. No roteiro, o Largo do Pelourinho, Terreiro de Jesus, Praça da Sé, Praça Municipal, Ladeira da Praça e a sede do Corpo de Bombeiros, onde a santa é homenageada por ser padroeira desses profissionais.

A procissão segue pela Baixa dos Sapateiros até o Mercado de Santa Bárbara, onde é servido um farto Caruru, patrocinado pelo governo estadual por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI).

O mercado recebeu nova pintura interna e externa do Ipac. Já a montagem do palco, a produção do som e logística da festa é feita pelo CCPI. O Ipac também fez reparos e pinturas na Igreja do Rosário dos Pretos, cuja Irmandade organiza a festa.

Fonte: Ascom/Ipac