Uma grande laje de pedra, onde a água se acumulava em poças barrentas e tanques naturais, nos escassos períodos de chuva, era a única fonte de abastecimento, além dos carros pipa, para a população de Gregório, distrito do município de Queimadas, na região sisaleira do estado. Hoje, a água já cai na torneira das casas de 2,2 mil baianos, moradores deste e de outros distritos do município – Cancela, Fazenda de Cima 1 e 2 e Petrolândia, graças ao sistema de abastecimento de água construído pelo governo baiano e inaugurado nesta sexta-feira (4) pelo governador Rui Costa.

Na ocasião ainda foram entregues 12 motocicletas, quatro carros e uma caminhonete, para atender três mil famílias que vivem da agricultura, em 11 municípios da região. Os veículos serão utilizados na assessoria técnica prestada pela Associação Humana Povo para Povo Brasil aos agricultores, que com o serviço podem ter sua renda ampliada de 30% a 100%.

Também em Queimadas, outras 194 famílias receberam os títulos das terras onde vivem, tornando-se assim donas de fato e de direito das suas propriedades.

“Eu estive aqui em 2010 e o povo estava revoltado porque diziam que há décadas a água era prometida aqui para os moradores. Volto hoje como governador para inaugurar este sistema de abastecimento que beneficia várias comunidades. O investimento de R$ 4 milhões para abastecer essas localidades traz qualidade de vida para as pessoas, assim como os títulos de terras e os veículos entregues”, afirmou o governador.

Ao caminhar pela laje de pedra que ajudou a administrar, mostrando as saliências onde a água se acumula, o agricultor Parmênio Bispo, de 66 anos, lembra como era no passado. “Até tapa eu levei aqui porque não podia deixar ninguém levar muita água, pois tinha que dar para todo mundo. Nessa época, com tudo seco, é hora de limpar as poças de lama para não contaminar quando a água chegar. Estávamos esperando chuva para outubro, mas não veio. Agora não precisamos mais desses tanques, porque a água tratada chegou nas torneiras”, disse.

De acordo com o secretário de Infraestrutura Hídrica, Cássio Peixoto, a água barrenta disputada pelos moradores acarretava até em doenças. Ele explicou que esse é um investimento também em saúde. “Para cada real investido em saneamento e abastecimento, são economizados R$ 4 em saúde. E este ano já são R$ 500 milhões investidos nessas duas áreas, beneficiando 500 mil baianos. De 2007 até 2014, foi o período da história em que mais se investiu em água e saneamento, foram cerca de R$ 8 bilhões”, garantiu.

Repórter: Raul Rodrigues