Recebidos ao som de berimbaus, mais de 40 representantes de grupos de capoeira, terreiros e artesãos, além de empresários e trabalhadores de hotéis, restaurantes e agências de viagem participam da terceira edição do seminário ‘Tecendo a Rede do Turismo Étnico-afro’, no município de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), nesta terça-feira (17). 
Realizado pela Secretaria de Turismo do Estado (Setur), em parceria com a prefeitura local, o evento integra as ações do Novembro Negro. O evento fecha o ciclo de encontros propostos para o mês da consciência negra. Também foram contempladas as comunidades de Lauro de Freitas e Nilo Peçanha.
Com palestras de conscientização sobre o turismo étnico-afro e produção associada ao turismo (PAT), a Setur estimula grupos étnicos a buscar desenvolvimento sustentável por meio da produção de artesanato, gastronomia típica e comercialização de serviços, como o receptivo turístico. 
“Precisamos pensar o turismo como uma iniciativa que pode trazer sustento para o povo de terreiros, quilombolas, grupos de capoeira, dentre outros. Assim, valorizamos a nossa cultura, estimulamos o turismo e geramos renda para a população”, explicou o diretor em exercício de Qualificação e Segmentos da Setur, Roberto Oliveira, durante a abertura do seminário, na Cidade do Saber.
Uma amostra da produção associada encontrada em Camaçari foi apresentada no seminário. Telas, telhas decoradas e miniaturas com temas de orixás chamaram a atenção dos visitantes, logo à entrada, apresentando o potencial dos artesãos do município, cuja produção pode ser associada à atividade turística.

Oportunidade

Conhecido como mestre Coelho, Joslei Araújo é líder do Grupo Cultural de Camaçari, que desenvolve atividades com capoeira, samba de roda e maculelê e já trabalha com a comercialização de artesanato e roupas. “Em Camaçari, o segmento mais forte é o de sol e praia, mas agora vejo uma oportunidade de criar artifícios que gerem renda para integrantes do grupo, pois o nosso comércio ainda é muito restrito aos próprios alunos e familiares”, comemorou o capoeirista.
Mestre Coelho costuma montar uma banquinha para a venda de artesanato e feijoada, nos eventos dos quais o grupo participa. Ele mostrou interesse em se associar a outros grupos e a agências de turismo para integrar roteiros de turismo étnico em Camaçari.
Quem também vê a formação de rede como oportunidade é a artesã e artista plástica Eli Borges – uma das que participaram da mostra de produção associada. Moradora de Arembepe, ela montou a própria loja, na porta de casa, onde comercializa variados produtos ligados a religiões de matriz africana, como preparos para banhos, até suas próprias obras de arte. São telas e objetos feitos com estopa, peças em biscuit, brincos e colares.
Como a preocupação com o meio ambiente também é uma constante para Eli, muitas peças são feitas com materiais reciclados. “Busco divulgar o meu trabalho, que é a renda que tenho para me manter”, contou a artesã, que vai aproveitar a rede do turismo étnico-afro estimulada pela Setur para buscar parcerias e ampliar a divulgação e comercialização de suas peças.
Fonte: Ascom/Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur)