Uma das manifestações populares mais antigas do estado e que atrai devotos católicos, principalmente do Recôncavo Baiano, a Festa D’Ajuda segue de domingo (8) até a próxima terça-feira (17), em Cachoeira. Com 144 anos de tradição, a festa homenageia a padroeira da primeira capela construída na cidade.
O sagrado e o profano fazem parte da programação, que conta com tríduo, missas, procissão e lavagem com baianas, além de desfiles de ternos, fantasias, fanfarras e samba de roda. O dia 15, um domingo, é o momento mais esperado, com a concentração dos grupos de travestidos e do público, no Largo D’Ajuda, aguardando a saída do Terno da Alvorada, às 5h.
A expectativa para a saída do Terno é de 20 mil pessoas, que seguem pelas ruas ao som de charangas. Além dos moradores, participam dos festejos visitantes de cidades vizinhas e de Salvador. Nos últimos anos, a festa tem atraído turistas de outros estados e do exterior, incrementando o movimento no comércio do município.
A criatividade das fantasias chama a atenção e contribui para o sucesso da festa. Além dos tradicionais pierrôs, cabeçorras e mandus – uma das figuras mais aguardadas do desfile é a que se apresenta com uma vestimenta formada por um cabo de vassoura atravessado nas costas, um paletó velho, um lençol amarrado da cintura à cabeça, além de anáguas e uma peneira -, não faltam fantasias mais atuais e que dependem da imaginação e irreverência de quem sai às ruas. Vale tudo para entreter e divertir moradores e turistas.
Programação
Aberta na manhã do último domingo (1°), pelo Bando Anunciador, com charangas e caminhões alegóricos, a Festa de Nossa Senhora D’Ajuda é retomada neste domingo (8) com o Terno do Silêncio, que, ao contrário do nome, ganha as ruas da cidade à meia-noite, com muita música e alegria. Também nesse dia acontece a Lavagem das Baianas, com saída às 10h da Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Monte com destino à Capela de Nossa Senhora da Ajuda.
Na terça-feira (10) é a vez do Terno das Crianças. Na quarta (11), o Terno do Acarajé, com baianas, estandartes e muito samba de roda, e na quinta (12), o Terno das Cozinheiras. Na sexta (13), acontece o Embalo D’Ajuda, com grupos seguindo pelas ruas ao som de charangas. Os desfiles acontecem a partir das 17h.
Como parte da programação religiosa, na quarta (11) tem início o tríduo em louvor a Nossa Senhora D’Ajuda. As celebrações são realizadas às 20h, na capela, seguindo até sexta (13). Já no sábado (14), uma missa festiva, às 19h, antecede a Procissão de Nossa Senhora D’Ajuda, às 20h30, que percorre as ruas históricas da cidade. A programação é retomada na terça (17), com o Terno da Saudade encerrando os festejos.
Com origem e apelo popular, a Festa D’Ajuda homenageia a padroeira da primeira capela de Cachoeira, criada por senhores de engenho que habitavam a cidade. A comemoração dedicada à santa surgiu como forma de ajudar os trabalhadores à época da abolição da escravatura. A manifestação religiosa é organizada pela irmandade de Nossa Senhora D’Ajuda.
Cachoeira 
Tombada pelo Instituto do Patrimônio e Histórico Artístico Nacional (Iphan), em 1971, passando a ser considerada Monumento Nacional, Cachoeira é, depois de Salvador, a cidade baiana que reúne o mais importante acervo arquitetônico no estilo barroco. As casas, igrejas, prédios históricos, dentre outras construções, preservam a imagem do Brasil Império, pedida certa para os fãs do turismo histórico.
Localizado no Recôncavo Baiano, às margens do Rio Paraguaçu, o município, que respira história e cultura, encanta os visitantes com suas festas religiosas, como a da Boa Morte e D’Ajuda; artesanato, com peças em cerâmica, couro, madeira e metal; culinária, de onde sobressai, dentre outros, a maniçoba, prato típico à base a folha da mandioca e ingredientes da feijoada, além de um conjunto de tradições das comunidades remanescentes de quilombos, que ainda se mantêm preservadas. A cidade abrigou, no último mês de outubro, a 5ª edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica).