Com uma das profissões mais arriscadas em todo o mundo, homens e mulheres policiais participaram do Seminário Perspectivas do Cuidado com a Saúde do Servidor da Secretaria da Segurança Pública (SSP) na manhã desta quinta-feira (5), no auditório da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (Alba), em Salvador. 
O evento teve o objetivo de discutir como prevenir e tratar doenças psicológicas. Promovido pela Superintendência de Prevenção à Violência (Sprev), o painel mostrou aos profissionais das polícias Civil, Militar, Técnica e do Corpo de Bombeiros as possíveis saídas para os problemas adquiridos ao longo da carreira, devido à estressante atividade nas ruas.
Antes de discutirem temas tão delicados, dezenas de policiais, que lotaram as dependências  da Alba, assistiram a uma apresentação do Grupo de Teatro da Polícia Civil, que retratou, de forma  humorística, as dificuldades vividas pelos profissionais no dia a dia e que não atingem apenas aquelas relacionadas à polícia judiciária.
Acompanhamento psicológico
Representando o secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa, o subsecretrário Ary Pereira de Oliveira ressaltou a importância do acompanhamento psicológico aos policiais e familiares, prestado pelo Núcleo de Estudos e Atenção ao Uso de Drogas (Nead). “Temas delicados, como suicídio, depressão, transtornos mentais e até abusos de drogas, precisam ser discutidos e, principalmente, prevenidos”, afirmou o subsecretário. Ele lembrou ainda que ações como este seminário “têm o papel fundamental de alertar os profissionais de polícia sobre estes riscos e apontar saídas para o enfrentamento do problema”.
O superintendente da Sprev, coronel PM Admar Fontes, destacou a importância do cuidado da saúde do policial, o que, segundo ele, também se reflete na melhoria dos serviços oferecidos à sociedade. Com a participação de especialistas em saúde mental, como o coordenador do Nead, Gessé de Souza Silva, e o tenente coronel PM Maurício Moura Costa, médico psiquiatra da Junta Militar de Saúde (JMS), o seminário também serviu para tirar dúvidas sobre o assunto.  
“Não há uma resposta única para encarar o problema. Só com ações interdisciplinares, que envolvam a educação do autocuidado, a melhoria das condições de trabalho, a reflexão sobre as estruturas de poder, dentre outras, as questões podem ser amenizadas”, explicou o coordenador do Nead.
Riscos
Para Moura Costa, os problemas de saúde mental de policiais são provocados pelo grau de periculosidade da profissão. Ele enfatizou que a atividade policial é a segunda mais perigosa do mundo, perdendo apenas para a de mergulhador. “Isso tem uma grande influência na vida desses profissionais, que precisam de avaliação constante e de eventos desta ordem para uma maior reflexão”, opinou.
Boa parte dos problemas de saúde mental está relacionada ao estresse contínuo, no entendimento do coordenador da JMS, o tenente coronel PM Marcos Nolasco. Ele garante que a alternância de funções dos profissionais, a diversificação de setores e um acompanhamento psicológico frequente, entre outras ações, ajudam a minimizam as questões.