A Fundação Hemoba tem, desde a década de 80, o objetivo de assegurar a oferta de sangue e seus componentes e prestar assistência em hematologia e hemoterapia à população da Bahia. É com esse incentivo que Maria Eduarda Barbosa, de seis anos, vai todo mês à fundação receber uma transfusão de sangue.  
A garota tem anemia falciforme SS, que é considerado o tipo mais grave da doença. A mãe, Maria José Barbosa, descobriu o problema da filha logo após o nascimento, por meio do exame do pezinho. A partir do diagnóstico, os médicos informaram que Maria Eduarda terá restrições ao longo da vida e deve evitar atividades que exigem esforço, como trabalhar. 
Segundo Maria José, com a transfusão do sangue O+, o quadro de saúde da menina melhorou. “Antigamente, ela tinha crise de dores, sempre estava no hospital internada. Com a transfusão mensal, mudou muita coisa”, explica a mãe. Desde o final de 2014, Maria Eduarda realiza a transfusão mensal. Segundo ela, o processo “é bom para meu corpo, me sinto mais forte”. 

Tratamento 
De acordo com a médica Luciana Nogueira, responsável pela área de anemia falciforme da Hemoba, essa é uma doença genética e hereditária muito comum na Bahia, principalmente em crianças, que já nascem com a doença. “É um programa extenso, a criança tem que tomar sangue mensalmente. Às vezes, a gente tem muita dificuldade, porque temos que pegar sangue mais parecido com o dela, processo chamado de fenotipagem. E a falta de doador pode causar um atraso nesse tratamento”, relata a médica. 
Em crianças, a anemia falciforme pode causar Acidente Vascular Cerebral (AVC), pelo fato delas terem a hemoglobina S em alta proporção. A transfusão é importante porque aumenta o nível de hemoglobina A no sangue desses pacientes.
Doações 
A Bahia possui, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 15 milhões de habitantes. Isso significa que é necessário coletar aproximadamente 450 mil bolsas de sangue para atender toda demanda do estado. Mas a situação da doação não se encontra em estado positivo.
“Estamos sempre atrás, sempre com campanhas divulgando essa necessidade, para que não haja falta de sangue no estado da Bahia. Nosso estoque no momento está crítico. E, principalmente em época de feriado, diminui ainda mais. Nós não tratamos só as pessoas doentes, tem os acidentados também”, relata a hemoterapeuta da Hemoba, Deise Gomes. 
Para ser um doador de sangue, é necessário pesar acima de 50 quilos, estar descansado (ter dormido pelo menos seis horas na noite anterior), não ter ingerido bebida alcoólica 12 horas antes, estar alimentado (evitar comidas gordurosas nas quatro horas que antecedem a doação) e ter entre 16 e 69 anos. Além dos pré-requisitos, o doador passa por uma triagem antes da doação e precisa apresentar um documento oficial com foto. Menores de 18 anos devem estar acompanhados por um responsável legal.