Neste 10 de novembro, Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, a mãe de Rafaela Brito do Carmo reforça que é importante o acompanhamento assíduo para que uma criança com deficiência auditiva se desenvolva. Jussiara Brito conta que começou a tratar efetivamente a filha, que tem surdez profunda por conta de complicações no parto, no Centro Estadual de Prevenção e Reabilitação da Pessoa com Deficiência (Cepred), uma Unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) de Referência Estadual, depois que um neurologista a encaminhou para a unidade.

"Ele disse que no Cepred eu encontraria o atendimento que minha filha precisava. Quando chegamos, ela tinha um ano e seis meses, não falava uma palavra e também não andava. Hoje, está com 11, estudando no 4º ano, se desenvolvendo bem, graças ao atendimento que encontramos aqui", afirma Jussiara.

A dona de casa ainda acrescenta que a filha encontrou no centro todo o atendimento que necessitava, desde fisioterapia, para conseguir andar, o encaminhamento para o implante coclear, que à época era realizado no Rio Grande do Norte, até o acompanhamento posterior buscando estimular o desenvolvimento da linguagem. Atualmente, os pacientes do Cepred já podem ser encaminhados ao Hospital Santo Antônio, em Salvador, que dispõe do serviço.

A coordenadora do serviço, Ana Cristina Pitanga, ressalta que, entre janeiro e setembro deste ano, o Cepred atendeu cerca de 1.500 pessoas com deficiência auditiva e entregou mais de 4.600 aparelhos auditivos de janeiro a outubro. Este número inclui bebês, crianças, adultos e idosos, pois o Centro atende a diversas faixas etárias.

De acordo com o Censo de 2010, mais de 700 mil pessoas em todo o estado têm algum comprometimento na audição. Os especialistas do Cepred foram unânimes em afirmar que o diagnóstico precoce é determinante para o êxito do tratamento. A fonoaudióloga Elisana Costa explica que um dos primeiros exames a ser realizado para detectar algum problema auditivo, em recém-nascidos, é o teste da orelhinha, que deverá ser feito no bebê logo na maternidade. "É um procedimento que se faz nas maternidades, demora entre cinco e dez minutos e não causa dor".

Ela acrescenta que o atendimento pode ser realizado no Cepred também. Para isso, é necessário levar o cartão e a guia de solicitação  do Sistema Único de Saúde (SUS) e relatório da alta da maternidade. Mas acrescenta que, nos casos em que os pais não têm este acesso, é preciso ficar atentos à sensibilidade dos bebês, pois quando há perda da audição, eles dormem mesmo com barulho, não acompanham para descobrir de onde vem o som, não ouvem a voz da mãe.

A qualquer um desses sinais, os pais devem procurar atendimento imediatamente. Mesmo com indicativo de perda da audição, os pais não podem deixar de estimular a criança, de conversar com ela entre outras ações de estímulo. Depois dos exames iniciais com o fonoaudiólogo, é a vez de encaminhar para o otorrino concluir o diagnóstico e indicar o tratamento, se será cirúrgico, medicamentoso ou colocação do aparelho auditivo.

Outro ponto importante para o êxito no tratamento é o efetivo apoio e empenho da família. No caso de Rafaela Brito, a mãe, além de não faltar a nenhum agendamento da paciente, segue todas as orientações dos profissionais do Cepred e ainda acrescenta seus próprios métodos, a exemplo da etiquetação de tudo dentro de casa, desde os brinquedos até os móveis, os eletrônicos para que ela possa ir associando o nome aos objetos.

Centro

Criado em 1999, o Cepred é referência em deficiência auditiva e também em Serviço de Atenção em Reabilitação Física, que inclui núcleo de reabilitação da pessoa com deficiência neuroevolutiva infantojuvenil; núcleo de reabilitação da pessoa com deficiência neurofuncional adulto; núcleo de reabilitação da pessoa com estomia; núcleo de reabilitação da pessoa com deficiência musculoesquelética. Tem também o serviço de reabilitação da pessoa com ostomia.

Segundo a assessora técnica do Cepred, Telma Ferraz, o atendimento é destinado a pacientes provenientes da capital e do interior, com acesso por meio de encaminhamento médico, com diagnóstico concluso ou por concluir. Quando necessário, eles são submetidos a exames complementares para iniciar o tratamento indicado. Em 2013 e 2014, a média de atendimentos em geral foi de seis mil pessoas. Este ano, até setembro, foram contabilizados mais de 4.130 atendimentos.

Fonte: Secretaria da Saúde do estado (Sesab)