Um piano doado por um morador do Uruguai, em Salvador, é a peça central do Projeto Primeiro Som, desenvolvido há três meses por policiais militares da Base Comunitária de Segurança (BCS) do bairro. As aulas de música são ministradas às terças e quintas-feiras, das 9h às 12h, no Espaço Cultural Alagados, de responsabilidade da Secretaria de Cultura do Estado (Secult). 
Jovens de baixa renda, com faixa etária entre 11 e 25 anos, estão tendo a oportunidade de aprender música clássica, barroca e até bossa-nova, tanto na teoria quanto na prática. Os ensinamentos são passados pelo soldado da PM Érico Alcântara, formado em música pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e um dos idealizadores do projeto.  
“O nosso objetivo é aproximar a polícia da comunidade e, através da música, direcionar os jovens para o caminho do bem. Tenho o compromisso moral de mostrar para eles que o mundo é muito maior do que eles conseguem enxergar no momento. Tem muita oportunidade para eles”, explica o soldado. 
Por meio das partituras, valores morais são transmitidos aos jovens, que aprendem a realizar trabalhos em equipe, a respeitar as particularidades de cada colega e a ajudar os mais necessitados. A música também abre portas para quem deseja crescer profissionalmente.     
“Minha relação com a música começou aos dez anos, quando tocava bateria na igreja em que frequento. Hoje tenho 25 anos e sigo me desenvolvendo na arte com o piano. Adoro música. Tenho uma profissão, atuo como técnico de sonorização, e as aulas me incentivam a querer sempre mais”, afirma Marcos Vinícius dos Santos, primeiro jovem a ingressar no projeto.    

Transformação pela música

Alguns dos participantes iniciaram as aulas de piano por acaso, como Quezia Alves, 25. Mesmo sem saber tocar nenhum instrumento musical, ela topou o desafio de aprender algo relacionado à música. “Eu passava [pelo espaço] e sempre ficava observando os meninos tocarem e tirarem suas dúvidas. Passei a ter interesse em saber um pouco mais e resolvi participar. Está sendo muito legal. Isso expande o nosso conhecimento. [O projeto] contribuiu bastante para eu melhorar a minha concentração”, afirma Quezia. 
O trabalho social que está sendo feito no bairro do Uruguai é árduo, leva tempo, mas o resultado pode ser transformador. “A gente está tentando mudar o pensamento de uma geração, garantir oportunidades e estimular a esperança. Isso tudo terá um impacto muito interessante na sociedade do futuro. Estamos fazendo um trabalho de prevenção da violência para reduzir a necessidade de ações de repressão”, ressalta a comandante da BCS do Uruguai, a tenente Carla Elis. 

Repórter: Leonardo Martins