O potencial do turismo étnico-afro será discutido neste mês de novembro junto às comunidades de Nilo Peçanha, Lauro de Freitas e Camaçari, com a realização de seminários que visam ao desenvolvimento e fortalecimento do segmento turístico na Bahia. Os encontros integram a Secretaria de Turismo do Estado (Setur) às ações do governo estadual para o Novembro Negro.
Fazem parte das discussões temas como a importância do turismo étnico-afro para o desenvolvimento sustentável e a produção associada ao turismo como geradora de emprego e renda. As palestras são conduzidas por técnicos da Setur. A programação inclui exposições de produtos de cada região, a exemplo das biojoias feitas com coco de licuri e piaçava e tapeçaria do quilombo de Jatimane, em Nilo Peçanha, onde a Setur já desenvolve projeto de fomento à produção associada.

Costa do Dendê 

Na segunda-feira (9), o quilombo de Jatimane recebeu técnicos da Setur para o primeiro encontro direcionado a grupos de manifestações culturais, empreendedores e moradores de comunidades quilombolas, inclusive de cidades vizinhas, como Maraú e Ituberá. Ao todo, 45 pessoas participaram do seminário.
“Vemos o encontro de Jatimane como um incentivo à organização das localidades quilombolas para o receptivo turístico, tendo em vista o potencial de geração de renda. Consideramos a riqueza das manifestações culturais, do artesanato, da culinária e do ambiente em que estas se inserem”, explicou a superintendente de Serviços Turísticos da Setur, Ângela Gonçalves. 
Ainda de acordo com a superintendente, após os seminários, serão assinados documentos que servirão como protocolos para a formação de uma rede de comunidades quilombolas para incentivo ao turismo étnico e a produção associada. O desdobramento da ação será a realização de encontros nas localidades envolvidas.
Geração de renda 
Para Jéssica do Rosário, artesã de Jatimane, o turismo étnico-afro dá oportunidade para jovens que não têm fonte de renda e que migrariam para outras cidades em busca de sustento. Ela explica o trabalho que desenvolve na comunidade de Nilo Peçanha. “Biojoias são produtos quilombolas, tendo a piaçava como matéria-prima. Elas surgem como alternativa de geração de renda para todos. Nosso esforço é para que toda a comunidade participe”. 
Moradora de Boitaraca, também em Nilo Peçanha, Camila Neves acredita no turismo étnico-afro como alternativa para a geração de renda: “O que as comunidades oferecem ainda é muito pouco para a manutenção da população no território. A rede de turismo étnico-afro quilombola fortalece os laços e estimula a troca de experiências, fortalecendo a região turística da Costa do Dendê e as localidades quilombolas da Bahia”.
Rota da Liberdade
Bom exemplo de organização para receptivo turístico em quilombos, com roteiros formatados e venda de produtos desenvolvidos no local é a Rota da Liberdade, no município de Cachoeira. O projeto conta com 20 guias das próprias comunidades, capacitados em história e geografia regionais, primeiros-socorros e condução de trilhas. 
A Rota da Liberdade envolve as regiões de Santiago do Iguape, São Francisco, Kaonge, Dendê, Kalemba e Engenho da Ponte, mas há outros roteiros formatados, que chegam a contemplar até 14 quilombos. Em outubro, 384 pessoas visitaram a Rota da Liberdade.
Próximos encontros 
O próximo encontro para tratar do assunto está marcado para sábado (14), em Lauro de Freitas, no auditório do terminal turístico Mãe Mirinha de Portão, às 9h. Já os moradores de Camaçari devem se reunir na terça-feira (17), no auditório da Cidade do Saber, também às 9h; o evento da Setur será realizado paralelamente ao I Festival Gastronômico de Camaçari. As ações compõem o calendário elaborado pela Prefeitura Municipal, com um mês inteiro de homenagens à memória de Zumbi dos Palmares e promoção da luta pela igualdade racial.
Fonte: Ascom/Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur)