Um paraíso tropical que precisa ser preservado, mas também receber investimentos que facilitem a vida de quem ali vive ou visita. Esta é a proposta do Governo do Estado para a Zona Turística Baía de Todos-os-Santos ao realizar obras de intervenção e manutenção que melhoram a região onde estão localizados municípios como Itaparica, Vera Cruz e Nazaré. 
Nos últimos oito anos, por meio da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), o Governo do Estado recuperou e construiu mais de oito mil quilômetros de vias em todo o estado. Entre outubro e o início de novembro deste ano, a secretaria recuperou trechos em três importantes vias da Zona Turística Baía de Todos-os-Santos: a BA-001, entre Bom Despacho e Nazaré; a BA-532, entre Itaparica e Vera Cruz; e a BA-533, de Itaparica a Bom Despacho. 
Pavimentação
Moradores da localidade conhecida como Coroa, que pertence a Vera Cruz, têm motivos de sobra para comemorar. A primeira etapa da obra de pavimentação de dois quilômetros partindo da BA-001, sentido ao distrito de Baiacu, está em fase final. 
Neste primeiro trecho, a Superintendência de Infraestrutura de Transportes (SIT), vinculada à Seinfra, está executando a pavimentação em paralelepípedo. Para a dona de casa Joselita Maria dos Santos, 73 anos, o fim da poeira e da lama marca o início de um novo tempo no local. “Antes era a lama pura. A gente parecia porco; andava na lama. Depois que terminar a obra, a poeira vai passar”. 
Na segunda fase, os cinco quilômetros restantes que dão acesso à comunidade de Baiacu, também em Vera Cruz, serão recuperados, para a alegria da dona de casa, que há quatro anos vive na rua Ernesto Carneiro Ribeiro, em Coroa. “Quero que esta obra continue até Baiacu. Eu tenho um barraco lá e preciso ir até lá com tudo asfaltado”. A expectativa da SIT é que as obras comecem nos primeiros meses de 2016.
Escoamento do pescado 
Não é apenas dona Joselita que está ansiosa para que os sete quilômetros (dois em paralelepípedo e cinco de asfalto) que ligam a BA-001 à comunidade de Baiacu sejam recuperados pelo Governo do Estado. Joselito Alves, 66, aprendeu a pescar com pai quando tinha apenas oito anos. De lá pra cá, ele constituiu família e ensinou a profissão aos sete filhos. 
A lida diária de sair de casa para tirar o sustento do mar não preocupa o pescador, mas escoar o pescado na estrada em péssimas condições, sim. “Todo o pescado que a gente consegue aqui tem que ir para Salvador ou para a Ilha. Se não tiver essa estrada, fica difícil. Já cansei de levar mulheres [prestes a dar à luz] para ter menino [bebê] e muitas passaram mal no carro”.

Investimentos
O titular da SIT, Saulo Pontes, explica que com a restauração da pavimentação do segmento da BA-001, de Nazaré até Bom Despacho, o governo se viu na obrigação, independente do serviço de conservação que é feito em toda a ilha, de melhorar a capacidade de trafegabilidade de alguns segmentos, a exemplo de Caixa Prego, Baiacu e Vera Cruz. 
“O segmento de Baiacu era, digamos assim, mais problemático, devido à dificuldade de drenagem, principalmente na saída da BA-001. Nos dois primeiros quilômetros, tínhamos dificuldade devido à ocupação de casas; não tínhamos uma drenagem adequada. Fizemos um estudo, cujo projeto vislumbrou a pavimentação em paralelepípedo, pela facilidade que se tem de manutenção, e fizemos uma drenagem subterrânea, que atende ao serviço que está sendo executado”, explica Saulo Pontes. 
Na opinião do superintendente, além de melhorar a qualidade de vida da população local, as intervenções melhoram o acesso dos milhares de veranistas que têm como destino a Ilha de Itaparica. De acordo com Pontes, por esta razão, o governo já concluiu o projeto de restauração do acesso à Caixa Prego, que passa pelas comunidades de Berlingue e Tairu.
“Com isso, estes 11 quilômetros [da BA-001] vão ser totalmente restaurados com a pavimentação adequada, pois a pavimentação que estava lá é de muitos anos atrás e não foi feita com material adequado para àquela região, que seria o CBUQ. Por isso, o projeto demorou um pouco, mas estamos viabilizando uma pavimentação em CBUQ, que é o concreto betuminoso usinado à quente, que atende às necessidades da via, localizada em uma região que chove muito”, acrescenta Saulo Pontes. 
Repórter: Jhonatã Gabriel