A preparação de internos da Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac), que irão fazer o Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem PPL), continua nos centros de atendimento socioeducativos, onde mais de 320 jovens têm acesso à educação, saúde e assistência social. As provas vão ser realizadas nos dias 1º e 2 de dezembro.

Cinquenta e oito jovens, na faixa etária de 17 a 20 anos, atendidos pela Fundac, participaram de aulões preparatórios, onde puderam revisar os principais assuntos de sete disciplinas cobradas nas provas. Pela manhã, os conteúdos foram de Física, Português e História. No turno vespertino, Sociologia, Filosofia, Matemática e Química. Os aulões foram encerrados na quarta-feira (25), e agora os inscritos têm oportunidade de seguir se dedicando aos estudos para o exame. 

“Nós estamos trabalhando para reforçar a base desses jovens. Muitos, quando chegaram, não conheciam elementos básicos de cada matéria. Eles estão motivados e acreditando que podem alcançar um bom resultado, e eu, como [docente], também acredito no sucesso deles”, afirmou o professor de História, Marcelo Mascarenhas.

Esperança

As ações socioeducativas oferecidas pela Fundac têm devolvido a esperança de quem se arrepende de um início de vida equivocado. “Cometi um grave erro no passado, mas me arrependi. Hoje estudo para mudar a minha vida”, disse o jovem I, 19 anos, um dos internos. As provas para as pessoas privadas de liberdade vão ser realizdas nos centros de atendimento ao jovem infrator.

A aproximação do dia do exame entusiasma T, 19. O garoto vê na oportunidade de disputar uma vaga em faculdade, por meio do Enem, como a principal chance de futuramente realizar o sonho de ser professor de História. “Tenho estudado bastante para chegar no dia da prova o mais bem preparado possível. Essa é uma porta importante para o futuro. Quero ser respeitado pelas pessoas, ser reintegrado à sociedade e voltar para o aconchego da minha família”.

Para as meninas, a reinserção a uma sociedade machista é ainda mais difícil, e elas sabem disso. “Vou sofrer muito preconceito, mas vou superar tudo isso”, enfatizou G, 17. A adolescente cumpre medida na Fundac há cerca de dois anos. Segundo ela, a dor e o arrependimento a levaram ao sonho de ser enfermeira. “Não me orgulho do que fiz, e machucaram muito o meu irmão. Minha consciência me leva a querer cuidar das pessoas”.

Reinserção

Quanto aos centros de atendimento socioeducativos, a coordenadora de Educação da Fundac, Mercedes Agrícola, informou que existem unidades em Salvador, Feira de Santana, Simões Filho e Camaçari. "As aulas já acontecem desde 2012, mas a revisão começou no ano passado”.

A fundação atua em parceria com a Defensoria do Estado da Bahia e professores de instituições de ensino – públicas e particulares – na reabilitação do jovem para reinserção na sociedade. “Os adolescentes que cometeram infrações [recebem] todo o suporte e orientações para perceberem seus erros e resolverem mudar. Na Fundac, eles passam a ter a oportunidade de mudar de vida, e muitos têm aproveitado isso”, afirma a diretora geral de Fundac, Regina Affonso.

Repórter: Leonardo Martins