Os autores dos projetos selecionados no concurso de produção artística em homenagem à Revolta dos Búzios na Via Expressa, promovido pelo Governo da Bahia, foram premiados nesta sexta-feira (20), Dia Nacional da Consciência Negra, na Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), em Salvador. Intitulado de ‘Liberdade’, o monumento que será instalado em uma das maiores intervenções urbanas da capital foi proposto por Ray Vianna e João Teixeira, que receberam o valor de R$ 50 mil.

Já o segundo colocado, Celso da Silva Cunha Neto, ficou com R$ 15 mil; e o terceiro, Denis Sena Rocha, R$ 10 mil. Segundo a titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, o objetivo é “preservar a memória dos heróis do movimento revolucionário baiano, ocorrido em 1798, pela república democrática e abolição da escravatura – João de Deus, Lucas Dantas, Manuel Faustino e Luís Gonzaga –, todos jovens negros, inspirando a sociedade na luta por um mundo mais justo e igual”.

A premiação é resultado de parceria da Sepromi com as secretarias da Educação e da Cultura (Secult), como parte das ações do Novembro Negro e da Década Internacional Afrodescendente, proclamada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e aderida, de forma pioneira, pelo governo estadual, para o período entre 1º de janeiro de 2015 e 31 de dezembro de 2024.

Reconhecimento

Na oportunidade, o secretário de Cultura, Jorge Portugal, anunciou mais duas homenagens aos heróis da Revolta dos Búzios, que acontecem no dia 29 deste mês, em Santo Amaro, onde nasceu Manuel Faustino, e Salvador. Portugal também destacou a importância da ação transversal, a partir da parceria das secretarias estaduais, para dar visibilidade à luta do povo negro.

Já o secretário da Educação, Osvaldo Barreto, lembrou que a maioria dos jovens negros está nas escolas públicas e que o governo tem se empenhado para garantir o resgate dessa memória por meio do ensino. “A luta é de todos. Precisamos orientar os meninos a amar para construir um ambiente sem ódio. Essa homenagem eterniza esse momento da história e dá visibilidade a contribuição do negro na sociedade”.

Projeto vencedor

Serão destinados até R$ 300 mil para a execução do monumento, constituído por cinco blocos integrados com os rostos dos líderes da Revolta e imagens de búzios. No centro, uma escultura tridimensional de figura humana com braços abertos, simbolizando a busca pela liberdade, principal sentido dos enfrentamentos travados pelos heróis.

A face tem vista para a Via Expressa, e as costas, com asas e um trecho dos manifestos populares, estão direcionadas à Ladeira da Soledade/Lapinha, palco de importante luta pela independência da Bahia. O material a ser utilizado nos elementos foi o aço corten, que tem mais resistência à corrosão.

“Pensamos no mote principal de luta dos líderes do movimento que, com certeza, foi a liberdade, de Portugal, da opressão, da escravidão”, explicou Vianna, que já é conhecido por outras obras artísticas na capital como o dorso de peixe, batizado de Odóyá, em frente à praia do Rio Vermelho; as tulipas brancas na Garibaldi; e, mais recente, o Caramuru-Guaçu (em Tupinambá, moreia grande), no bairro de Piatã.

O monumento propõe interferir visualmente no cotidiano da cidade, contribuindo para construção do imaginário social sobre essa etapa da história da Bahia. “Achamos mais pertinente, no processo criativo, enaltecer o objetivo de luta dos heróis. Esperando que o monumento ajude a manter o ideal de liberdade”, disse João Teixeira.

Outras produções

O terceiro colocado, Denis Sena Rocha, propôs uma produção em grafite, considerada por ele “uma das principais linguagens da arte contemporânea”, que evidencia as imagens e os nomes dos heróis da Revolta. Já o projeto de Celso Cunha valorizou o símbolo do búzio em seu projeto e as faces dos heróis negros, utilizando fibra de vidro e aço. Ele parabenizou a importância do concurso e destacou a necessidade de se investir mais em iniciativas como essa, de resgate da cultura e trajetória do povo negro. Também participaram da cerimônia a coordenadora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), Arany Santana, e a presidente da Fundação Pedro Calmon (FPC), Zulu Araújo.

Fonte: Ascom/Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi)