Palhaços, malabaristas, mágicos e demais artistas circenses ocuparam o auditório do Museu de Arte da Bahia (MAB), em Salvador, para conferir o documentário ‘Mapeamento e Memória do Circo na Bahia’. O lançamento teve presença de gestores do poder público, do Colegiado do Circo e de outros membros da sociedade civil, como produtores, representantes de grupos, companhias e artistas independentes. O filme é uma realização da Fundação Cultural do Estado (Funceb), entidade vinculada à Secretaria de Cultura (Secult). O evento, aberto ao público, ocorreu na tarde de quarta-feira (18), aquecido por trilha clássica dos picadeiros.

“O circo é a mãe de todas as outras linguagens artísticas, porque carrega a história e o desenvolvimento delas. Por isso, temos o compromisso da luta, do diálogo para avançar o setor. Este mapeamento é um reconhecimento às pessoas do circo, que não estão na mídia. É uma etapa cumprida, mas que não se encerra aqui”, afirmou a diretora da Funceb, Fernanda Tourinho, na mesa de abertura.

Fernanda também destacou o projeto em tramitação na Assembleia Legislativa que propõe que, na Funceb, o Circo tenha uma coordenação, pois hoje atua como Núcleo de Artes Circenses. “Esta é só uma medida de afirmação, porque o Circo já faz parte da publicação Agenda Cultural Bahia e possui o mesmo tratamento de uma coordenação”. O Plano Setorial do Circo também foi lembrado pela gestora. “Cada ação pode abrigar os territórios. As políticas públicas estruturantes devem ser discutidas e criadas com vocês, para sua consolidação”.

Projetos

Vika Mennezes, coordenadora do Circo, falou sobre o quanto o diagnóstico do circo contribuiu para a criação de outros projetos pela Funceb, como a Praça do Circo, o Programa de Qualificação e a elaboração da Cartilha do Circo. A importância de mais diálogo com os poderes municipais e de participação nas reuniões do Colegiado Setorial também foram ressaltados pela coordenadora. “Vamos fazer um Seminário de Criação de Circo e Teatro no interior”, anunciou.

O Mapa da Palavra.BA, projeto da coordenação de Literatura da Funceb que cadastra artistas literários, foi indicado pela diretora das Artes, Lia Silveira, para que circenses participem, fazendo cadastro, já que “o circo é uma linguagem que possui uma dramaturgia própria”. Seguindo a programação, o público assistiu um número de dublagem cômica com as palhaças Eduarda Alves e Taliane Silva, do circo Shallom. A apresentação foi resultado do Programa de Qualificação em Circo, da Funceb.

Emoção

A exibição do documentário, momento mais esperado pelos presentes, revelou depoimentos de diversos artistas circenses, falando sobre a necessidade de reconhecimento, visibilidade, trajetórias, famílias, organização, itinerância, relação com as comunidades, projetos sociais e outros espaços de atuação. Formas de sobrevivência e apresentações de números também estão no vídeo, que é um registro cultural inédito, a ser distribuído por todo o estado. O documentário reúne 56 companhias, a exemplo da Cia Pé na Terra, o Circo Picolino, o Circo Sem Honra, o Circo Jamaica, o Circo Pé de Ferro e o Circo do Capão.

Do Circo Kadoshy, Wilma Macedo emocionou-se ao falar sobre o filme. “É um reconhecimento da arte, da vivência, da nossa realidade que foi mostrada. Fiquei maravilhada. E o circense é isso, é emoção, é paixão e um mínimo de razão. Espero que o documentário alcance toda a Bahia”. Já o palhaço Chupeta, do Circo Dallas, atuante há 56 anos, considera o momento como novo na história do circo. “A gente nunca viu isso. É bom que o circo esteja no meio da cultura”.

Foram registradas as presenças de representantes dos circos fixos e itinerantes Taturana Circus (Salvador), Jamaica (Sobradinho-ES), Shalom (Eunápolis), Starllone (Santo Antonio de Jesus), Transglobo (Jacobina), Dallas, Movimento do Circo Sem Lona, Teatro Alternativo (Tal), além do mágico Yesus, Robson Mol (da Cia Tupiniquim e da Cadena Produções) e de diversos artistas independentes, incluindo atores de teatro.

Fonte: Ascom/Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb)