Artistas baianos e norte-americanos trocaram experiências musicais, nesta quinta (05), no Centro de Formação em Artes (CFA) da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). O encontro abordou o tema ‘Música brasileira e sua relação com a diáspora africana’, focando especialmente o samba.

A Master Class (aula dada por especialista com notório saber em determinada área do conhecimento) teve como mediador o maestro Letieres Leite e esta foi a primeira parte do encontro, que terá uma Jam Session (tocar de improviso) na próxima quinta-feira (12).

O encontro é dedicado à promoção de artistas baianos independentes no mercado internacional, através da interação cultural e do fortalecimento da cadeia produtiva, pautados na relação entre artistas baianos e norte-americanos.

A parceria objetiva viabilizar o intercâmbio de artistas baianos independentes e a produção de eventos culturais nos Estados Unidos, buscando atingir comunidades que não conhecem a diversidade da cultura musical da Bahia, despertando assim o interesse de um público diversificado.

Letieres Leite falou sobre o princípio da oralidade das músicas oriundas da diáspora africana que têm o desafio de transmitir seus ritmos, marcados pela oralidade, para a escrita tradicional. Outro desafio é aproximar a escrita para a realidade da música brasileira. A partir deste pensamento, o maestro convidou todos a pensar esses princípios.

“O samba não caiu do céu. Tem princípios estruturais e musicais, desde o samba-reggae, bossa-nova, chorinho ao maracatu e frevo”, enfatizou o maestro. Ele expôs a história do samba e sua relação temporal com o jazz americano, em que as raízes estão relacionadas à parte da história que ele considera “o horror da escravidão”. Letieres também promoveu interação com os participantes, mostrando ritmos e explicando as bases do Candomblé de Angola, Ketu e Gêge.

Trocas internacionais

A música brasileira também é o que move o trabalho de Victor Souza, artista baiano que nos Estados Unidos atua com o que ele chama de reggae-samba. Casado com uma norte-americana que fazia mestrado em Dança aqui no Brasil, com quem foi viver nos EUA, Souza hoje tem um projeto que leva artistas baianos ao país e traz artistas norte-americanos para o Brasil, o Make a Story in Bahia (Faça sua história na Bahia).

O projeto sempre teve apoio da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), por meio do Departamento de Relações Internacionais, e hoje da Funceb, através de como o que acontece na capital baiana. “Já temos 40 estudiosos de jazz dos EUA inscritos para intercâmbio no ano que vem”, informou o artista baiano.

Rafael Pondé, cantor e multi-instrumentista de Salvador, é um dos parceiros de Victor Souza nos EUA. Através do edital Conexão Cultural Brasil Intercâmbios do Ministério da Cultura, o artista teve oportunidade de fazer uma turnê passando por sete estados do país. “A ideia inicial era passar um mês, mas desdobrei o projeto com produtores americanos de Porto Rico, Filadélfia, Flórida e latinos. O interesse partiu deles pela música brasileira”.

“Com esses músicos baianos nos EUA temos referência da validade do movimento cultural que os editais de intercâmbio podem proporcionar”, disse a diretora do CFA, Marle Macedo. Já a coordenadora de Música da Funceb, Alessandra Pamponet, afirmou que este é um dos principais interesses do setor, de estimular os artistas baianos para levarem sua música para fora, como também receber músicos de fora.

Projeto em parceria

A ação é uma parceria do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) e Fundação Cultural, por meio do CFA, da coordenação de Música e da sua Diretoria do Audiovisual (Dimas). A Funceb e o CCPI são vinculados à Secretaria de Cultura do Estado (Secult).

O projeto é baseado na política do Bahia Music Export e nas diretrizes do Plano Setorial de Música. Também recebe apoio dos artistas Rafael Pondé e Victor Souza, que têm experiências bem-sucedidas de intercâmbio cultural e que fazem parte, como artistas convidados, dos debates.

Fonte: Ascom/Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb)