Com a prática ‘Diálogos da Diversidade’, o professor Francisco Cruz do Nascimento e estudantes do 3º ano do Colégio Estadual Paulo César da Nova Almeida, no município de Ibirapitanga, no Baixo Sul, venceram a 7ª edição do ‘Prêmio Educar para a Igualdade Racial e de Gênero: Experiências de Promoção da Igualdade no Ambiente Escolar’, promovido pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades e parceiros (Ceert). Nos dias 13, 14 e 15 de outubro, os vencedores e finalistas participarão de atividades de formação e da premiação, no SESC Belenzinho, em São Paulo.

A estudante Crisleia Santos de Jesus, 18 anos, 3º ano, conta que, através da prática ‘Diálogos da Diversidade’, conheceu mais profundamente a Lei nº 10.639/03, o que a ajudou a compreender a importância de se combater o racismo ou qualquer tipo de preconceito. “Eu, que sou negra e resido no assentamento, já sofri várias discriminações racial e social. Já fui chamada por uma colega de ’menina encardida’. Sempre ouvi calada, o que me causava um grande sofrimento. O professor Francisco, com este projeto, ajudou a abrir a minha mente e, hoje, eu sei me defender e posso multiplicar conhecimentos para que a minha comunidade combata qualquer tipo de preconceito”, declara.

O trabalho – que envolveu palestras, debates, seminários, oficinas e apresentações de teatro – foi desenvolvido no ambiente escolar e na comunidade externa, com o objetivo de promover uma abordagem de gênero para combater o racismo e sexismo, valorizando a diversidade. “Nosso projeto teve como base a Lei nº 10.639/03 (que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do Ensino Fundamental até o Ensino Médio) e o destaque foi a interdisciplinaridade das atividades, por meio das quais percebemos que o reconhecimento do outro pelo caminho da diversidade, o que foi um ganho muito significativo. Hoje, a nossa unidade escolar já se reconhece 100% negra”, relata o professor Francisco.

Estudante protagonista

A prática ultrapassou os muros da escola e chegou à comunidade do assentamento Paulo Jackson, em Ibirapitanga. “As organizações comunitárias são parte importante da vida escolar. Que vida poderá ter as escolas que não discutem os problemas da própria comunidade onde está inserida?”, questiona o professor, destacando que, com o projeto, tem conseguido trabalhar em prol de uma escola que insere os estudantes como protagonistas de sua história, fortalecendo a sua autoestima, além de melhorar a comunicação através da oralidade e da escrita.

Prêmio

O prêmio – uma iniciativa que, desde 2002, acumulou cerca de 2.900 práticas educacionais – tem o objetivo de identificar, difundir, reconhecer e apoiar práticas pedagógicas e de gestão escolar que abordem a temática étnico-racial e de gênero, na perspectiva da garantia de uma educação de qualidade. Nesta edição, a novidade foi o foco específico em práticas com abordagem de gênero, que combatam o racismo e sexismo, bem como valorizem a diversidade e em práticas de Educação Escolar Quilombola.

Foram inscritos 643 projetos oriundos das cinco regiões do país e de 24 estados brasileiros. Um Comitê de Seleção, composto por especialistas em relações raciais e diferentes áreas do conhecimento, elaborou os critérios que possibilitaram a escolha das 14 melhores práticas em cada uma das categorias descritas no edital.