Pensar a cidade de forma democrática e participativa. Com este objetivo, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado (Sedur) está promovendo reuniões semanais com gestores, técnicos e representantes de movimentos sociais para debater temas relevantes para Salvador e contribuir, efetivamente, para o processo de revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU). Trata-se do Grupo de Trabalho Planeja Salvador.

O primeiro encontro aconteceu na manhã desta terça-feira (29), na sede da Secretaria, no Centro Administrativo (CAB), e tratou de questões pertinentes ao Centro Antigo. “O primeiro passo é avançar na discussão para que o PDDU, de fato, contemple os pontos estratégicos e de relevância para Salvador”, explicou a superintendente de Planejamento e Gestão Territorial da Sedur, Lívia Gabrielli, que representa o Estado no Conselho Municipal da Cidade, ao lado da coordenadora do Sistema Viário Oeste (SVO/Sedur), Graça Torreão.

Especificamente no que diz respeito ao Centro Antigo, uma das principais críticas é, justamente, a ausência de um plano urbanístico específico para a região. “É importante a sua elaboração de forma participativa, priorizando pontos, como a melhoria da acessibilidade, a preservação das características simbólicas e a valorização dos sítios, monumentos e todo o entorno”, pontuou o arquiteto responsável pela apresentação desta terça, Tiago Brasileiro, integrante da equipe que está fazendo o planejamento urbano da Ilha de Itaparica e que já colaborou com a elaboração de mais de 30 PDDUs em municípios baianos.

Obras

A região, que abrange 11 bairros e onde residem cerca de 77 mil pessoas, está passando por obras de pavimentação e requalificação, sob a responsabilidade da Diretoria do Centro Antigo de Salvador da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Dircas/Conder), vinculado à Sedur. Todavia, outras questões como a reversão do esvaziamento populacional da região, o ordenamento e controle do comércio informal, e até mesmo a modernização do Porto de Salvador devem ser tratadas dentro do âmbito do novo PDDU da capital.

“Para fazer com que o direito à cidade seja um fato, é preciso garantir um desenvolvimento urbano com controle social. E o principal instrumento é um Plano Diretor participativo, envolvendo os movimentos sociais, empresários e os governos municipais e estadual”, atentou o arquiteto Daniel Colina, representante do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/Bahia) no Conselho Estadual das Cidades (ConCidades), desde a sua criação, em 2007. “Se a sociedade se organiza em suas entidades e, aqui, nessa reunião, algo indica que estamos no caminho certo, podemos pautar as diretrizes”, arrematou.

Na próxima terça (6), o tema em pauta será Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), com apresentação da coordenadora de Planejamento Habitacional da Sedur, Raquel Matedi. O Planeja Salvador também irá tratar de mobilidade, saneamento e meio ambiente, e integração e centralidade metropolitana.