Uma parceria entre o Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), por meio do Mestrado Profissional em Ecologia Aplicada à Gestão Ambiental, e a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) promete apontar soluções para os desafios ambientais do Parque São Bartolomeu, localizado no Subúrbio Ferroviário de Salvador.

De acordo com o engenheiro civil, especialista em Gestão Ambiental, Cosme Miranda, que administra o parque, o primeiro passo para o trabalho conjunto com os mestrandos em Ecologia já foi dado. “Apresentamos o histórico do Parque São Bartolomeu, sua riqueza ambiental e cultural e as ações desenvolvidas pela Conder, durante uma aula prática do curso na Reserva de Sapiranga e fomos muito bem recebidos”.

Além deste primeiro encontro, fazem parte das atividades da disciplina ‘Solução de Problemas’ diversas visitas dos pesquisadores ao local para conhecer a realidade de Parque São Bartolomeu. Para Miranda, as principais dificuldades na gestão do espaço estão relacionadas ao processo de ocupação irregular por que passou o local, ocasionando “a desconfiguração da vegetação nativa, além da disposição inadequada dos resíduos sólidos nos rios e afluentes que integram a Bacia do Cobre”.

A pesquisa, que totaliza três meses de duração, parte da análise dos dados oferecidos pelo Plano de Manejo do parque. “Este material, que nos foi oferecido pela Conder, é muito bem elaborado e apresenta um diagnóstico detalhado para entendermos as dificuldades enfrentadas pelo parque”, ressalta o mestrando Antônio Cardoso. Após a análise do Plano de Manejo e das informações coletadas ‘in loco’, será possível desenvolver a segunda etapa, que consiste em oferecer um projeto apontando quais ações podem ser adotadas visando solucionar os problemas que existem atualmente.

Segundo a bióloga e mestranda Ana Cláudia Magalhães, a principal vantagem da parceria é ao mesmo tempo oferecer aos pesquisadores um caso real de estudo e aproveitar o resultado das informações coletadas para solucionar desafios encontrados no dia a dia do Parque São Bartolomeu. “Nossa pesquisa tem por objetivo lançar um plano de ação bastante claro e de fácil execução, que aponte como as dificuldades poderão ser solucionas a curto, médio e longo prazo”.

Para otimizar o curto tempo disponível e a análise das informações coletadas, o grupo formado por quatro pesquisadores foi dividido em duas duplas, onde a primeira tem como foco as questões relacionadas ao descarte inapropriado de lixo, e a segunda tratará das ações necessárias para que o replantio das áreas desmatadas seja efetuado preservando as características da vegetação original.

Requalificação

Principal reserva de Mata Atlântica da primeira capital do Brasil com área de 155 hectares e palco de batalhas históricas que consolidaram a Independência do País, em 1823, o parque passou por um processo de requalificação realizado pelo Governo do Estado com a construção de equipamentos educacionais, culturais e esportivos, conjuntos habitacionais (instalados fora da área do parque), cercamento e ações socioambientais, em parceria com as associações e entidades representativas do Subúrbio Ferroviário.

As obras realizadas pela Conder, e entregues em outubro de 2014, totalizaram R$ 100 milhões viabilizados por um financiamento do Banco Mundial. A comunidade de diversos bairros do entorno do parque, como Pirajá, São Bartolomeu, Plataforma, Ilha Amarela e Rio Sena, foram beneficiadas.