O terreiro da Casa Branca – primeiro candomblé tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – ganhou do Governo do Estado, por meio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), na última sexta-feira (8), apoio institucional e técnico-financeiro para realizar ações no segmento de corte costura e bordado de matriz africana.

Este é um dos 54 projetos, classificados pelo Edital 001/2014, que visa apoiar entidades da sociedade civil sem fins lucrativos no campo da formação e do desenvolvimento de empreendimentos e redes de economia solidária. Os projetos beneficiados são sociais e culturais, que favorecem comunidades quilombolas e terreiros de religiosidade afro-brasileira, numa perspectiva emancipatória.

Com 12 meses para execução e recursos no valor de R$ 171 mil, o projeto Asó Orisá (roupas de santos e outras produções) também prevê a reforma da Associação Espaço Cultural Vovó Conceição que será transformada em formato de loja para comercialização dos produtos.

Beneficiados

Já foram beneficiados pela Setre, só neste ano, seis projetos – Rhol, que tem nas folhas sagradas o principal elemento e vai beneficiar diretamente 12 terreiros de candomblé em municípios da Região Metropolitana de Salvador (RMS) e Recôncavo Baiano; Ardecente, que vai qualificar 100 jovens de comunidades de cinco terreiros de candomblé de Salvador para produção, consumo e comercialização de elementos religiosos, como roupas, adereços, ferramentas de orixás e instrumentos sagrados.

Também é beneficiado o projeto Cidadania Quilombola, que vai contribuir na estruturação e fortalecimento do cultivo de ostra, artesanato, azeite de dendê artesanal e turismo étnico, no Quilombo do Kaonge, em Santiago do Iguape, distrito de Cachoeira; o Ilê Ogdon – Casa da Sabedoria, com apoio das 45 pessoas do terreiro do Bogum, no Engenho Velho da Federação, na confecção de vestuário masculino e feminino adulto e infantil, com a temática afro.

Outros beneficiados são o projeto Multicultivo Quilombolas de Cordoaria, de Camaçari, que vai trabalhar com 30 famílias na criação do banco de sementes, reflorestamento de biriba e plantio de cabaças, executar a reforma e modernização da casa de farinha comunitária para o beneficiamento dos produtos; e Richelieu e Bordados Ancestrais, que vai resgatar esta técnica, na qual desenhos de flores, folhas e outras figuras são contornados por meio de um ponto chamado ‘casear’, beneficiando 30 mulheres integrantes de seis terreiros de candomblé.