Teve início na segunda-feira (25), Dia da África, e segue até sábado (30), no município de Camaçari, a 2ª Semana de Combate ao Racismo Institucional, reunindo funcionários públicos, representantes de movimentos sociais e membros da sociedade civil organizada. O encontro foi aberto no Teatro Alberto Martins, pela companhia Alaketu, com apresentação de danças e músicas em reverência aos orixás.

Presente na atividade, a titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Vera Lúcia Barbosa, disse que 2015 abre a Década Internacional dos Afrodescendentes, “quando diversos países assumem compromissos para combater o racismo e à intolerância religiosa, além de garantir os direitos da população negra, e que eventos do tipo contribuem no fortalecimento dessa luta”.

Na quarta-feira (26), às 14h, a Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, vinculada à Sepromi, se reunirá no auditório da Secretaria de Governo (Segov) da cidade, como parte do encontro, para tratar do enfrentamento à violência contra juventude negra. Segundo o prefeito, Ademar Delgado, é no cotidiano, quando as relações são aprofundadas, que se percebe a discriminação, “a qual temos que combater. Somos todos iguais, independente de cor, crença, poder econômico ou grau de instrução”.

Liderança do movimento negro, Alaiton Dias, mais conhecido como fininho, aprovou a iniciativa. “É mais um espaço que se abre para o diálogo. Só tenho a dizer que a reparação está vindo, ainda que devagar”. Já o tata Ricardo Tavares, do terreiro de Lembá, destacou o significado da abertura no Dia da África, “Nossa terra mãe. É ainda pouco para reverenciar seu legado na nossa sociedade, contribuição histórica, social e cultural”.

Também participaram da solenidade o coordenador de Promoção da Igualdade Racial de Camaçari, João Borges, e representantes da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) e da Polícia Militar. Compareceram ainda dirigentes do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), da Fundação Cultural Palmares (FCP), e de secretarias municipais.

Saúde da população negra

No mesmo dia foi realizado um seminário sobre atenção à saúde da população negra, ocasião em que o representante da Sesab, Antônio da Purificação, pontuou as patologias mais prevalentes neste grupo, como anemia falciforme, diabetes e hipertensão. Ele apresentou, em seguida, a política estadual que trata da temática e portaria referente à escolha da assistência religiosa nos hospitais e unidades da Secretaria, assim como material relacionado à saúde bucal, que é trabalhado com comunidades quilombolas. A programação continua com exposições, oficinas e rodas de diálogo.