Dois dos mais conceituados interlocutores da literatura negra brasileira – Éle Semog, do Rio de Janeiro, e José Carlos Limeira, da Bahia – participam do projeto ‘Ogum’s Toques dos Escritores’, nesta quinta-feira (21), às 18h30, no Teatro Sesc-Senac Pelourinho, em Salvador. O encontro é organizado pelo Coletivo Artístico e Literário Ogum’s Toques Negros e é o primeiro de três eventos de projeto selecionado pelo edital setorial de literatura, da Fundação Cultural do Estado (Funceb), unidade da Secretaria de Cultura (Secult). O ingresso é gratuito.

Semog lança ‘Guarda pra Mim – poesias’, pela editora Letra Capital, e Limeira apresenta o primeiro de uma série de cinco livros, parte da coleção Huntó das Letras o livro Encantadas, pela editora Ogum’s Toques Negros. O fotógrafo Januário Garcia diz que mergulhar no universo poético de Semog é imergir no oceano profundo da alma, à procura das certezas e incertezas que nos envolvem, e que “a poética semoguiana surfa nas ondas da filosofia, do amor, do tempo e do povo”.

O escritor Edimilson De Almeida Pereira aponta no texto de Limeira “o desnudamento da realidade social e a aproximação amorosa ao outro, indicadas como linhas de força de sua poética, relacionam o autor a outros nomes importantes da lírica ocidental”. A partir desse reconhecimento, é oportuno ressaltar que a inserção das especificidades socioculturais da afrodescendência nessa tradição lírica resulta, enfatiza o crítico Eduardo de Assis Duarte, no “abalo da noção de identidade nacional una e coesa e na descrença da infalibilidade dos critérios de consagração crítica, presentes nos manuais que nos guiam pela história das letras aqui produzidas”.

A primeira edição do projeto aconteceu em agosto de 2013. Desde então, o Coletivo Artístico e Literário Ogum’s Toques mostra na cena literária baiana escritoras e escritores negros, nomes respeitados e estudados nas universidades do exterior, mas sem reconhecimento no Brasil.