A centenária Festa do Bembé do Mercado, que reúne população de 42 terreiros de candomblé do Recôncavo e acontece nesta quarta-feira (13), na cidade de Santo Amaro, terá a presença, já confirmada, do ministro da Cultura, Juca Ferreira. Iniciado em 1889, o evento é chancelado como Patrimônio Imaterial da Bahia desde 2012, por meio de dossiê do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), órgão da Secretaria de Cultura do Estado (Secult).

No mesmo dia, o Governo do Estado, por meio da Secult/Ipac, lança a nova edição livro ‘Festa do Bembé’ e um videodocumentário, ambos produzidos pelo instituto. Às 21h acontece o ‘Xirê’, palavra Yorubá, que significa roda ou dança utilizada para reverenciar e festejar os orixás. São 160 páginas com mais de 170 imagens, entre fotografias, mapas e infográficos. O vídeo reúne depoimentos de participantes e organizadores da festa.

Natural de Salvador, sociólogo de formação, com 66 anos de idade e 47 deles dedicados à política pública, Juca Ferreira, tem um olhar especial no MinC para o patrimônio imaterial, representado pelas festas, manifestações populares, saberes culturais, ofícios, modos de ser e do fazer cultural da população brasileira e baiana. Essa política vem sendo implantada principalmente via ações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

"Juca Ferreira é uma referência para a política pública cultural no Brasil, a partir do seu trabalho como secretário-executivo do MinC (2003-2008), sob a gestão do então ministro Gilberto Gil. Foi com ele que os bens imateriais ou intangíveis do Brasil e da Bahia começaram a fazer parte do projeto político-institucional do País", afirma o diretor-geral do Ipac, João Carlos Cruz.

Também já confirmaram presença no evento a presidente nacional do Iphan, Jurema Machado, o superintendente do mesmo órgão na Bahia, Carlos Amorim, o secretário estadual de Cultura, Jorge Portugal, entre diversas outras autoridades federais, estaduais e municipais, além de personalidades artísticas.

Conselho

No evento também será empossado o Conselho Gestor da Festa do Bembé, um colegiado formado por integrantes da comunidade local e dos poderes públicos para monitorar a manifestação cultural, de modo a garantir a sua proteção, continuidade e evitar a descaracterização.

A Festa do Bembé acontece desde que os escravos da região foram às ruas comemorar a abolição da escravatura. O diretor do Ipac explica que o Bembé é uma manifestação religiosa, celebrada a partir de 1889, formada por praticantes de religiões de matriz africana, comunidades de pescadores e comerciantes de Santo Amaro.

Neste ano, a festa tem apoio financeiro do MinC, além da articulação da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), este último vinculado também à Secult. O livro integra a coleção ‘Cadernos do Ipac,’ que já lançou ‘Festa de Santa Bárbara’, ‘Carnaval de Maragogipe’, ‘Desfile dos Afoxés’ e ‘Ofício de Vaqueiros’, na categoria de Bens Culturais Intangíveis. No segmento dos Bens Materiais – edificações e obras de arte – foi lançado um livro intitulado ‘Conjunto Escola Parque’.

Mais informações podem ser obtidas na Gerência de Patrimônio Imaterial (Geima) do Ipac pelo telefone (71) 3116-6741,  e-mail geima.ipac@ipac.ba.gov.br e no site do instituto.