Moradores, comerciantes, motoristas e ciclistas já estão aproveitando a melhoria proporcionada pela duplicação da Avenida Pinto de Aguiar, que liga a orla marítima à Avenida Paralela, na altura do Centro Administrativo da Bahia (CAB), entrada para o bairro de São Rafael, em Salvador. O governador Jaques Wagner entregou o primeiro trecho, de 1,5 quilômetro – o que corresponde a aproximadamente 50% da obra -, nesta sexta-feira (11). Cada pista passa a ter três faixas de trânsito por sentido, sendo uma preferencial para ônibus.

Parte de um planejamento maior, que recebeu o nome de Mobilidade Salvador, a duplicação da Pinto de Aguiar prevê investimento de cerca de R$ 63 milhões, facilitando o deslocamento da população. Na capital, 743,8 mil pessoas estão habilitadas para conduzir uma frota de 867,4 mil veículos, entre carros, ônibus, caminhões e motos. Os dados são do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA), e os números crescem a cada dia.

Motoristas e estudantes

Para o motorista de ônibus William Nunes, profissional que conhece bem o trânsito da avenida, o pior trecho é próximo ao viaduto que liga a avenida ao São Rafael. “Tem dia que eu perco até uma hora e meia para atravessar toda a Pinto de Aguiar. Este primeiro trecho pronto já melhorou. Quando a obra ficar pronta, vamos poder desenvolver mais e perder menos tempo aqui”.

Segundo o estudante de biologia, no campus da Universidade Católica do Salvador (UCSal) situado na avenida, Felipe Lacerda, 18 anos, o trânsito é um desafio a mais para ele conseguir o diploma de curso superior. “Está melhorando muito. É bom saber que vai haver mais obras. A gente precisa sair mais cedo de casa, em dia de prova, para chegar em tempo. Fica tudo engarrafado, do Estádio de Pituaçu até a orla”.

Moradores e comerciantes

A costureira Claudionora Azevedo, 46, está há oito meses com um ponto comercial na esquina da Rua Jardim Paraíso com a Avenida Pinto de Aguiar, sentido da Paralela em direção à orla marítima. “O trânsito aqui é um problema. Eu moro no São Rafael e demoro mais de uma hora no percurso, que podia fazer em 20 minutos. Em relação a meus clientes é a mesma coisa. Com a obra vai ficar mais fácil para eles chegarem, e isso vai melhorar o movimento e aumentar minha renda”.

Elias Carvalho, 74, diz como o trânsito da Avenida Pinto de Aguiar afeta sua vida. “Eu estava conversando agora sobre o assunto. Ontem [quarta-feira, 10] fui buscar meus netos no [Colégio] Marista. Fiquei parado uma hora na ida e mais uma hora na volta, somente nesse trecho. Um percurso que eu poderia ter feito, ida e volta, em 20 minutos, demorei duas horas”.

Ciclovia e urbanização

A ciclovia também vai facilitar a vida de muita gente, principalmente trabalhadores. O churrasqueiro Fabiano dos Santos, 42, conta que atravessa a avenida todos os dias de bicicleta. “Isso aqui é muito perigoso. Já fui atropelado na avenida porque os motoristas não respeitam a gente na pista. A região está crescendo, cada vez passa mais carro e mais ônibus. Em dia de jogo é pior ainda. A ciclovia vai ser muito importante para nós porque a bicicleta é um transporte rápido e barato”.

Além da ciclovia, o projeto inclui urbanização, pavimentação, microdrenagem, macrodrenagem, contenção, paisagismo, iluminação pública, sinalização e segurança viária. Está sendo refeita a via principal em pista dupla com três faixas, uma das quais para coletivos, que irá evoluir para o Bus Rapid Transit (BRT). A extensão aproximada é de três quilômetros com pistas separadas por canteiro central. Também está em andamento a construção dos passeios nos dois lados, nas laterais de cada pista, com pavimentação em concreto.

Mobilidade Salvador

Outras intervenções urbanas fazem parte do plano Mobilidade Salvador. As principais são os dois corredores transversais, que vão ligar o Subúrbio à Orla Atlântica de Salvador. O Governo do Estado também está construindo o Complexo Viário Imbuí-Narandiba, com três grandes viadutos, a ligação da Avenida Luís Eduardo Magalhães à Estrada do Curralinho, que vai facilitar o acesso aos bairros do Stiep e Boca do Rio, e realizando intervenções na Avenida Artêmio Valente, onde fica o Estádio do Vitória (Barradão).