Para que a Bahia se torne autossuficiente na produção de leite, a Secretaria da Agricultura do Estado (Seagri) lançou durante Fenagro 2013, que acontece até o próximo domingo (8), no Parque de Exposições de Salvador, o Plano de Desenvolvimento da Pecuária Leiteira (Leite Bahia). O propósito é aumentar a produção diária por família de 22 litros para 70 litros e a anual do estado de 1,2 bilhão para 1,5 bilhão de litros.

O Plano vai ainda promover o desenvolvimento social e econômico da cadeia produtiva, gerando renda mínima de um salário mínimo por mês para cada produtor com a atividade leiteira, que hoje rende apenas R$ 172.

Segundo o secretário Eduardo Salles, trata-se de uma ação transversal, com a participação de outras secretárias estaduais, como as do Meio Ambiente (Sema), Desenvolvimento Social (Sedes), Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir) e Infraestrutura (Seinfra).

Também fazem parte o Ministério da Agricultura (Mapa), Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), movimentos sociais, Federação da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb) e diversos laticínios parceiros.

O Plano foi lançado na terça-feira (3) durante a cerimônia de entrega do prêmio Destaques da Agropecuária 2013 a produtores que se destacaram nas principais cadeias produtivas, mesmo em um ano de forte estiagem a seca. Entre os premiados, o produtor José Geraldo Vaz, de Amargosa, destaque na cadeia do leite.

Tecnologias

“Este plano é pra valer e já está rodando em todo estado. Queríamos fazer o lançamento com a certeza de que estamos no caminho certo. Para tanto, implantamos mais de 70 Unidades Demonstrativas em várias regiões da Bahia, treinando e capacitando técnicos e produtores”, disse o secretário.

O público alvo do plano são os mini e pequenos produtores, podendo se estender a médios e grandes agropecuaristas. Ao explicar detalhes do plano para quase 500 agropecuaristas, presidentes de associações e cooperativas, Salles disse que a área de abrangência do plano são 18 territórios de identidade do estado, agrupados em cinco polos regionais, por características edafoclimáticas semelhantes, considerando-se a vocação para a produção leiteira.

As principais ações do Plano Leite Bahia contemplam a assistência técnica, com transferência de tecnologias para técnicos e produtores, implantação de tanques de expansão, de unidades de beneficiamento de leite e de Laboratório Certificado pelo Ministério da Agricultura, promoção do mercado institucional, e infraestrutura, a exemplo de estradas e energia elétrica.

Investimento previsto é da ordem de R$ 156 milhões

A prestação de assistência técnica para 18.733 agricultores familiares é uma das metas do Plano, além da instalação de 1.592 tanques de expansão comunitários e 20 unidades de beneficiamento de leite, até 2016. O investimento previsto para quatro anos é da ordem de R$ 156 milhões.

De acordo com o secretário, a Bahia possui o terceiro maior rebanho leiteiro do País, mas é o 25º no ranking nacional de produtividade, com a marca de 540 litros/ano por vaca ordenhada, enquanto que em estados como Pernambuco e Alagoas a produtividade é de 1.500 litros/ano por vaca ordenhada.

Para elaborar o Plano de Desenvolvimento da Pecuária Leiteira, a Câmara Setorial Estadual do Leite ampliou o projeto Caminho do leite, apresentado pela Faeb e Sindileite. A Câmara é composta por representantes dos produtores, da indústria, dos movimentos sociais, sindicatos, associações, cooperativas, Faeb e do governo, dentre outros segmentos.

O especialista Walter Ribeiro, responsável pelo Programa Balde Cheio, da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), foi contratado como consultor do plano Leite Bahia. A iniciativa é uma metodologia inédita de transferência de tecnologia que contribui para o desenvolvimento da pecuária leiteira em propriedades familiares.