Representantes de 20 quilombos do Estado da Bahia reúnem-se, nesta sexta-feira (21), com técnicos da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) para discutir propostas de conteúdo ao edital do Empreendedorismo Negro. O encontro acontecerá, em Cachoeira, às 9 horas, no Quilombo Santiago do Iguape (Distrito de Iguape).

O Edital do Empreendedorismo Negro, a ser lançado, ainda este ano, pela Setre por meio da Superintendência de Economia Solidária (Sesol), está sendo construído com a colaboração de diversas representações da matriz africana, público que será atendido por essa política pública.

Já participaram das “rodadas de diálogo” com técnicos da Sesol, as baianas de acarajé, capoeiristas, blocos afro, segmento de moda, arte, estética, produção cultural, músicos de hip hop e representantes da religião afro. A consulta aos representantes dos quilombolas será a última, nesta fase de diálogos.

“Encerrada essa etapa de escuta, iniciaremos a análise de todas as sugestões apresentadas, para finalização da proposta de edital, que será, então, encaminhado para análise da Procuradoria Geral do Estado (PGE) antes da sua publicação”, informa Juci Santana, técnica do Sesol.

Segundo Juci, “o Edital do Empreendedorismo Negro estabelece estratégias de desenvolvimento, fortalecimento e inclusão dos afro-brasileiros no processo produtivo estadual, como políticas públicas de promoção da igualdade racial e de gênero”.

Na Bahia, segundo dados oficiais, existem 159 comunidades de quilombolas. Os quilombos surgiram no período da escravidão no Brasil (séculos XVII e XVIII), quando os negros que conseguiam fugir se refugiavam com outros em igual situação em locais bem escondidos e fortificados no meio das matas.

Nestas comunidades, eles viviam de acordo com a cultura africana plantando e produzindo. Na época colonial, o Brasil chegou a ter centenas destas comunidades espalhadas, principalmente nos estado da Bahia, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Alagoas.