No mês de maio, o custo da cesta básica voltou a cair em Salvador, apresentando uma redução de 3,76% em relação ao mês anterior. Assim, passou a custar R$ 257,98, contra os R$ 268,05 registrados em abril. A cesta básica de Salvador continuou sendo a segunda mais barata dentre as 18 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

A cesta básica pesquisada em Salvador é composta de 12 produtos, conforme definido pelo decreto-lei nº 399, de 30 de maio de 1938. Nos últimos 12 meses (de junho de 2012 a maio de 2013), o custo dos alimentos básicos apresentou alta de 13,03% na capital baiana. No acumulado de janeiro a maio, a alta acumulada é de 13,59%.

A redução no custo da cesta básica resultou num aumento do poder de compra do trabalhador soteropolitano que ganha um salário mínimo. Esse trabalhador comprometeu 41,36% de seu rendimento líquido com a cesta básica em maio, índice menor que o verificado em abril (42,97%). O rendimento líquido do salário mínimo é de R$ 623,76, após desconto de 8% (referente à contribuição previdenciária) sobre o atual valor bruto de R$ 678.

Ainda em função da queda do custo da cesta básica, esse mesmo trabalhador soteropolitano precisou trabalhar menos horas para adquirir uma cesta básica. O tempo necessário apurado em maio foi de 83 horas e 63 minutos. Em abril, era preciso 86 horas e 59 minutos.

Alimentação básica da família soteropolitana custa R$ 773,94

Em Salvador, o custo da alimentação básica para o sustento de uma família foi de R$ 773,94 durante o mês de maio. Esse valor é 14,2% maior que o salário mínimo bruto vigente (R$ 678). Em abril, o custo da alimentação básica para a família era de R$ 804,15 na capital baiana. Este custo com a alimentação básica toma como referência uma família composta por quatro pessoas: dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto. Ou seja, equivale ao custo de três cestas básicas.

Comportamento dos preços

A cesta básica em Salvador ficou mais barata em maio em função da queda de preços de sete dos 12 produtos que a compõem. Desses, cinco tiveram redução acima de 10% no mês: a farinha de mandioca (-22,20%), o café (-13,77%), o arroz (-13,31%), o óleo de soja (-12,17%) e a carne (-11,45%). O produto que registrou a maior alta foi o leite, com variação de 11,52%.

A farinha de mandioca registrou redução de preço em maio, após 16 meses de alta na capital baiana. Apesar do cenário para a cultura da mandioca ainda não ser favorável, especialmente por razões climáticas, o preço médio no varejo caiu 22,20% em maio.

Em maio, o preço médio do café caiu 13,77% em Salvador, quebrando uma trajetória de alta iniciada em julho de 2012. A estimativa de produção elevada fez com que o preço da commodity caísse no mercado internacional, baixando temporariamente os preços do produto na maioria das capitais pesquisadas.

O preço médio do arroz caiu 13,31% em maio, numa intensidade maior que a registrada no mês anterior. A demanda baixa enfraqueceu as cotações do arroz no mercado. Somada à diminuição da exportação, há uma tendência de baixa para os próximos meses.

O óleo de soja registrou redução de 12,17% no preço médio em maio. A alta do dólar e as especulações sobre redução de exportação para a China enfraqueceram os preços no mercado internacional, trazendo uma repercussão de baixa no mercado interno. Soma-se a isso o aumento da oferta do produto nos mercados nacional e internacional.

O preço médio da carne bovina caiu 11,45% em maio na capital baiana. Além do produto ter entrado na lista de isenção do PIS/Cofins, anunciada pelo governo federal em março, a disponibilidade interna de carne bovina se mantém elevada, sustentando os preços baixos no mercado. Em Salvador, esta foi a quarta redução consecutiva do preço médio.

O tomate, com alta expressiva de preço no começo deste ano, registrou a segunda redução seguida no preço médio em Salvador. Em maio, o preço caiu 7,45%, contribuindo para a redução no valor total da cesta básica.

O açúcar registrou, pelo quarto mês seguido, queda de preço em Salvador. Em maio, a redução foi de 7,14%. A commodity ainda apresenta baixa no mercado internacional em função da ampla oferta, o que pode estar contribuindo para manter os preços em queda em boa parte do país.

O preço médio da banana subiu 6,45% em maio. Apesar de ser a quarta alta seguida do preço médio em Salvador, a intensidade da alta vem caindo nos últimos meses. O leite apresentou alta de 11,52% em maio e a manteiga, alta de 1,18%. Esses aumentos podem estar atrelados à queda na produção desde março, como normalmente ocorre nesse período, por conta do início da entressafra. Essa restrição na captação costuma afetar todo o grupo de laticínios.

Variações nas capitais

Doze das 18 capitais onde o Dieese realiza a Pesquisa Nacional da Cesta Básica apresentaram redução no valor das cestas em maio. As quedas mais expressivas ocorreram em Manaus (-4,91%), Salvador (-3,76%) e Belo Horizonte (-3%). As capitais com maior alta no mês foram Campo Grande (3,59), Porto Alegre (3,49%) e Goiânia (3,43%).

Em maio, São Paulo (R$ 342,05) continuou a registrar a cesta básica mais cara dentre as capitais pesquisadas, apesar de ter tido uma redução de 0,65%. Vitória (R$ 324,87) passou a ter a segunda cesta mais cara e Porto Alegre passou a ocupar a terceira posição (R$ 323,17). Os menores preços para o conjunto de produtos alimentícios de primeira necessidade foram registrados em Aracaju (R$ 240,72), Salvador (R$ 257,98) e Campo Grande (R$ 281,40).

Jornada de trabalho

A jornada de trabalho necessária para a compra dos alimentos essenciais por um trabalhador que ganha salário mínimo foi, na média das 18 capitais, de 97 horas e 17 minutos em maio, o que significa menos uma hora em relação ao tempo estimado para abril, de 98 horas e cinco minutos. Em relação ao exigido em maio de 2012, quando a jornada era calculada em 88 horas e 21 minutos, o tempo necessário é nove horas superior.

O custo médio da cesta básica nas capitais pesquisadas, em relação ao salário mínimo líquido, foi de 48,07% em maio. O comprometimento do rendimento é menor em relação a abril, quando o custo da cesta representava 48,46% do salário mínimo líquido, mas é maior quando comparado ao comprometimento em maio de 2012 (43,65%).