Os 32 mil moradores do bairro de Fazenda Coutos, no subúrbio ferroviário de Salvador, estão comemorando nesta quinta-feira (8) o Dia Internacional da Mulher (Oito de Março) com uma série de atividades que vão desde exames de prevenção ao câncer de mama até a aquisição de documentos. As ações começaram às 8h, com serviços gratuitos para as mulheres, atendimento no estande da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e na unidade móvel da Defensoria Pública, divulgação da Lei Maria da Penha pelo Centro de Referência Loreta Valadares, além de esclarecimentos do Ministério Público sobre violência doméstica.

“Para marcar o Oito de Março, em vez de uma simples festa, estamos fazendo um conjunto de prestações de serviços organizado por várias secretarias e entidades, como o Ministério Público e a Defensoria Pública. Assim, levamos mais cidadania para as mulheres, que podem fazer aqui tudo o que é necessário para ter mais dignidade e criar os filhos sempre num ambiente familiar”, afirmou o governador Jaques Wagner, que visitou o local na manhã desta quinta-feira.

Segundo ele, a criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres, que está completando um ano, é uma demonstração da preocupação do Estado com a questão de gênero. “Temos desenvolvido ações para dar suporte e combater a violência contra as mulheres e a exploração sexual. Na área de habitação, mais de 50% das casas foram entregues para as mulheres, para que elas possam ser a garantia da família”.

A secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Vera Lúcia Barbosa, informou que as atividades desenvolvidas neste Oito de Março vão servir para as mulheres no seu dia-a-dia e mostram que o Estado está trabalhando dentro das prioridades a que se propôs. “Uma das prioridades é o enfrentamento à violência contra a mulher e a outra é a inclusão das mulheres no mercado de trabalho, com oportunidade salarial igual à dos homens. A tarefa da secretaria é envolver todo o corpo de governo nesta batalha”.

Programa estadual de rastreamento do câncer de mama é o maior do país 

A dona-de-casa América Xavier, 59 anos, tem três filhos e disse que todo ano faz exame de prevenção ao câncer de mama. “A mulher precisa se cuidar, porque a maior beleza da vida é a nossa saúde”. Ela destacou que geralmente vai a um médico clínico, recebe uma requisição, procura as Obras Sociais Irmã Dulce e realiza a mamografia. “Mas este ano foi mais fácil. Não precisei nem sair daqui do bairro. Foi tranquilo. Amanhã, vou fazer o exame oftalmológico”.

Os homens aprovam a iniciativa da comemoração pelo Dia Internacional da Mulher. “Hoje, aqui, minha mulher pode se prevenir de uma doença como o câncer de mama. Todas as mulheres podem tirar um documento, se precisar. Saber que o poder público se preocupa com as nossas mulheres é uma segurança para nossas famílias”, declarou o comerciante informal Roberto Felício, 48 anos, que mora com a esposa e duas filhas.

O programa estadual de rastreamento de câncer de mama, de acordo com o secretário da Saúde, Jorge Solla, já é o maior do país neste segmento. “Estamos hoje fazendo esse trabalho em Juazeiro, Seabra, Itaberaba, Irecê, Jacobina e, aqui em Coutos, estão três equipamentos para atender as mulheres na faixa de 50 a 69 anos”.

Reconstrução da mama

Segundo Solla, como parte das comemorações do Mês da Mulher, além dos 240 exames realizados em Fazenda Coutos nesta quinta-feira, por meio do programa Saúde em Movimento, o governo adquiriu 40 próteses para reconstrução da mama em mulheres que sofreram de câncer. “É uma continuação desse trabalho de rastreamento. Quando o resultado é positivo, todo o tratamento, quimioterapia, radioterapia e cirurgia, é fornecido pelo Estado. E agora, em alguns casos, estamos possibilitando a reconstrução mamária”.

O Saúde em Movimento prevê um milhão de exames em dois anos e já realizou mais de 15 mil procedimentos. A primeira-dama e presidente das Voluntárias Sociais da Bahia, Fátima Mendonça, também deu os parabéns às mulheres. “Nosso dia é todo dia. A comemoração é maior ainda quando a gente estimula a saúde da mulher. Ela precisa se conscientizar que precisa cuidar de si, da sua saúde, porque quando a mulher adoece a família inteira adoece”.

Divulgação da Lei Maria da Penha aumenta número de denúncias de violência 

Jucinele Silva, 28 anos, procurou o estande da Defensoria Pública para solicitar o pagamento de pensão alimentícia para sua filha de 13 anos. “Fui deixando para depois, porque precisava ir ao fórum no horário em que estou no trabalho, e fica longe. Mas agora ficou mais fácil, vim me informar do que preciso fazer”.

A defensora Cristina Ulm disse que a presença da Defensoria Pública em eventos como o desta quinta-feira sempre atrai muitas mulheres. “Nesses bairros carentes, o caminho da porta do Judiciário é sempre a Defensoria Pública”. Ela explicou que, mesmo nos outros dias, quando a Defensoria Pública não está presente no bairro, as mulheres continuam sendo assistidas pelo órgão. “O atendimento continua sendo feito para ações cíveis e de família na Casa de Acesso à Justiça, na Rua Archimedes Gonçalves, no bairro do Jardim Bahiano, e no Núcleo de Defesa da Mulher, na Rua Pedro Lessa, no Canela”.

Para Cristina Ulm, a Bahia saltou recentemente de 16º para o 8º lugar no Brasil em relação ao número de casos de violência contra a mulher. “Isso não quer dizer que haja mais violência no estado, mas que as mulheres estão denunciando mais, com a divulgação da Lei Maria da Penha. Temos uma rede de atenção à mulher muito forte no estado, formada pela Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres, os núcleos especializados da Defensoria Pública e do Ministério Público. Então, é um grupo que trabalha para isso e fez com que as mulheres tivessem coragem para denunciar”.

Delegacias especializadas 

Delegado-geral da Polícia Civil, Hélio Jorge Paixão, destacou que a política para as mulheres, de nível nacional, já é adotada há bastante tempo pelo governo. “Temos 15 unidades especializadas para as mulheres em todo o estado – quatro em Salvador e região metropolitana e as demais no interior”. Ele afirmou que existem várias formas de se denunciar a violência contra as mulheres. Pelo Disque-Denúncia (3235-0000), por exemplo, o denunciante não precisa se identificar. As próprias mulheres também podem procurar as delegacias especializadas. “O atendimento é feito com cuidado para que a vítima não seja exposta”.

Março Mulher 

Todas as atividades integram a programação do Março Mulher, cujo objetivo é celebrar as conquistas alcançadas a partir da busca pela igualdade de gênero, além de promover debates e reflexões sobre os problemas enfrentados pelo público feminino na atualidade. As ações são realizadas por um conjunto de movimentos sociais e organizações, a exemplo da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres.

Publicada às 10h10
Atualizada às 14h25