A arquitetura dos casarios, o relevo banhado pelo mar e a miscigenação dos povos africano, indígena e europeu contribuem para que Salvador esteja entre as cidades mais atrativas do Brasil e do mundo na área cultural. Esta diversidade faz com que o poder público tenha atenção especial no que diz respeito à manutenção, à preservação e à valorização deste patrimônio.

Neste sentido, nos últimos cinco anos, um conjunto de medidas foi ampliado ou desenvolvido na capital baiana pelo Estado, por meio da Secretaria de Cultura (Secult) e órgãos vinculados, como o Centro de Culturas Tradicionais e Identitárias (CCPI), Fundação Pedro Calmon (FPC), Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) e Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb).

A recuperação de prédios importantes para o resgate da memória dos soteropolitanos está entre os destaques das ações realizadas pelo governo no âmbito cultural. Somente no Centro Antigo de Salvador (CAS), que possui o maior conjunto arquitetônico colonial barroco português preservado e integrante do patrimônio histórico da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, o governo reformou e restaurou a Igreja do Boqueirão, a Casa das Sete Mortes e o Palácio Rio Branco. Trabalhos semelhantes estão em fase de finalização na Igreja e Cemitério do Pilar e na Igreja do Rosário dos Pretos.

Segundo o diretor-geral do Ipac, Frederico Mendonça, as obras de restauro das igrejas e de alguns monumentos foram viabilizadas pelo Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur), do Ministério do Turismo, através da Secult. “O Ipac trabalha com patrimônios que são uma interface entre a cultura e o turismo. Restaurar monumentos que são importantes como âncora para a atividade de visitação da cidade que é a capital do Brasil Colônia foi o principal motivo que nos levou a executar essas obras”.

Os casarões, monumentos e ruas do Pelourinho integram, desde agosto de 2011, o programa de manutenção preventiva do governo estadual. Os trabalhos são executados por profissionais da construção civil contratados pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder). A equipe, com cerca de 30 homens, já recuperou e pintou as fachadas e telhados de casarões na Praça do Cruzeiro do São Francisco, nas ruas Gregório de Mattos, Alfredo de Brito e das Laranjeiras e no Portal do Carmo.

Além dos milhares de turistas, os estudantes de todo o estado, em especial de Salvador, visitam com frequência o CAS. Na quinta-feira (29), dia em que Salvador completou 463 anos, dezenas de ônibus escolares da cidade levaram alunos de todas as idades para conhecer um pouco mais da história da primeira capital brasileira. De acordo com o professor Edmilson de Jesus, que acompanhava um grupo com cerca de 30 crianças na visita ao Pelourinho, se o patrimônio não estivesse preservado, não seria possível trazer as crianças aqui hoje para conhecer.

Tombamentos

A Festa de Santa Bárbara – manifestação religiosa de 300 anos que abre o calendário festivo em Salvador – foi tombada como patrimônio imaterial da Bahia. Bens imóveis de Salvador foram tombados como patrimônio material. Entre eles, a Casa da Madragoa, a Igreja de Nossa Senhora de Brotas, a sede do Corpo dos Bombeiros, o Solar Bandeira, o Palácio da Aclamação e o Hotel da Bahia.

No Solar Ferrão, no Palácio da Aclamação e no Largo de Jubiabá foram realizadas obras de conservação, e no Mercado de Santa Bárbara, concluídas as obras de infraestrutura. O Centro Cultural Solar Ferrão foi reaberto, em 2008, com restauro e exposição das coleções de arte sacra do Museu Abelardo Rodrigues, de arte africana de Cláudio Masella, de instrumentos de Walter Smetak e de arte popular de Lina Bo Bardi, esta fechada há 40 anos.

Em 2009, foi concretizada a abertura do Museu Rodin Bahia no Palacete das Artes, no bairro da Graça. Pela primeira vez fora da França, o museu abriga exposição que conta com 62 trabalhos originais do artista.

Diversão e lazer

Por meio do programa Pelourinho Cultural, foram promovidos milhares de apresentações artísticas de grupos locais, nacionais e internacionais. Para o cabeleireiro Oliver Santos, morador do local, a ampla oferta de atividades, aliada às boas condições dos prédios e espaços de lazer do CAS, reflete positivamente na qualidade de vida de quem mora na área. “Agora mesmo estão pintando fachadas, recuperando casarões. Isso é muito legal e faz com que eu traga para o Pelourinho minha família”.

Mais conforto e segurança

Através do Concurso Nacional de Ideias, foram escolhidos os projetos de requalificação dos três principais largos do Pelourinho: Pedro Archanjo, Tereza Batista e Quincas Berro d’Água. Trinta e três equipes de todo o Brasil se inscreveram. A equipe liderada pelo arquiteto paulista Arthur Casas foi a vencedora. “O projeto inteiro, muito mais do que ser visual, bonito e agradável, também tem que valorizar as pessoas e trazer novos valores para quem usa o Pelourinho no dia a dia. É uma coisa boa para a cidade”, disse Arthur. A exposição dos projetos fica aberta ao público até o dia 30 de abril, no Solar Ferrão, Pelourinho.

Carnaval da diversidade

Desde 2008, o programa Carnaval Ouro Negro apoia atividades e gestão de blocos de matriz africana durante a folia em Salvador. Este ano, pela quinta vez consecutiva, foram 120 agremiações (afoxés, blocos afro, de samba, de índio, de reggae e de percussão).

Para contemplar o folião pipoca, foram selecionados, via chamadas públicas, 20 projetos de apresentação musical coletiva com, no mínimo, três artistas e/ou bandas, que se apresentaram entre sexta e terça-feira (17 a 21 de fevereiro) nos dois principais circuitos do Carnaval (Dodô e Osmar), em quatro trios independentes custeados pelo Estado. A cada dia, foram dois trios por circuito – de samba, samba reggae, rock, rap, soul e axé –, para animar a festa dos foliões pipoca.

Programação do aniversário continua

Iniciando a programação dos 463 anos da cidade, a Fundação Pedro Calmon apresenta a exposição Salvador e Suas Igrejas na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, onde aborda a influência da igreja católica na sociedade soteropolitana. A exposição, que começou no dia 10 deste mês, pode ser vista até o dia 10 de abril, das 8h30 às 18h.

Já o Ipac realiza no Museu Tempostal, no Pelourinho, até o dia 5 de abril, a exibição do vídeo (Per)Cursos Patrimoniais – Centro Histórico de Salvador e visitas mediadas à mostra Pelos Caminhos de Salvador. A exposição retrata parte da urbanização, crescimento e modernização da cidade. O Museu Tempostal funciona de terça a sexta-feira, das 10h às 18h, e nos sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h.