As rimas contundentes do rapper GOG, o talento da música negra da cantora brasiliense Ellen Oléria e a força da palavra do poeta baiano Nelson Maca serão as atrações do desfile do Bloco Ókánbí, segunda e terça-feira (20 e 21), no circuito Batatinha (Centro Histórico). A entidade integra o Carnaval Ouro Negro, programa de apoio ao desfile de blocos de matriz africana, criado em 2009 pela Secretaria de Cultura da Bahia.

Aliados a uma banda de sopro, com 40 integrantes, e à mistura de ritmos percussivos que caracterizam o Ijexá e o afro-cubano da banda Ókánbí Afro Pop, eles farão a grande novidade do Ókánbí na Avenida, homenageando o músico nigeriano Fela Kuti, com o tema ‘África 70. Um Tributo a Fela Kuti: a música é a arma’.

Fela Kuti foi o criador do movimento Afrobeat na década de 70 e hoje é mundialmente reconhecido por ter usado a música para protestar contra a opressão do povo africano.

Além das atrações, o Ókánbí desfila com oito integrantes na ala de canto e mais de dez alas de dança, promovendo a mistura do afrobeat nigeriano e a percussividade afro-cubana, diferencial rítmico criado para o bloco Ókánbí pelo percussionista Jorjão Bafafé, diretor da entidade.

"Vamos ressaltar, por meio da música, da dança e do figurino, a cultura e os ideais panafricanistas do músico Fela Kuti, criador do movimento afrobeat na década de 1970", explica Bafafé, percussionista e diretor artístico-musical do bloco, enfatizando que a entidade "promete um verdadeiro espetáculo cênico-coreográfico, mostrando a força que tem a cultura de matriz africana no Carnaval de Salvador".

GOG é um dos pioneiros do movimento hip hop em Brasília e no Brasil, com trabalho focado no rap consciente em um estilo único, que valoriza a palavra, o texto bem construído e um ideal. Suas letras são consideradas verdadeiros protestos sociais.

llen Oléria já esteve no bloco Ókánbí, no Carnaval 2011, e deixou uma excelente impressão. Ela canta, toca e mistura ritmos brasileiros com a soul music e levadas de jazz, realizando uma fusão que passeia pelo rap, samba, afoxés e funk. Dona de uma voz marcante, tem uma performance cênica cheia de atitude.

Nelson Maca, considerado por muitos como o poeta divergente da Bahia, participa fazendo intervenções performáticas e declamando seus poemas.