Mantido pela Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro, o Hospital Nossa Senhora da Natividade, em funcionamento desde 1778, corria o risco de fechar as portas, já que vinha prestando um serviço muito abaixo de sua capacidade. A histórica unidade de saúde, que presta atendimento médico-cirúrgico de urgência e emergência aos santamarenses e pacientes de 13 municípios circunvizinhos, vai passar por uma revitalização, graças à assinatura de um convênio.

O acordo entre a Secretaria Estadual da Saúde (Sesab), em parceria com a prefeitura de Santo Amaro e a Fundação José Silveira, foi firmado nesta quarta-feira (26), nas dependências do hospital, que passa a ser administrado pela fundação, que fica responsável também pelo atendimento. A ação vai dar acesso aos usuários a equipamentos médicos capazes de favorecer a resolutividade dos agravos à saúde, diminuindo a transferência para Salvador e municípios da região.

A unidade, que necessita de reforma para se adequar aos requisitos técnicos exigidos pelo Ministério da Saúde, terá um repasse anual da Sesab de R$ 2,3 milhões, que este ano ocorrerá em três etapas. A partir desta quarta-feira, a instituição passa a contar com 11 leitos de urgência, emergência, observação de atendimento em clínica médica, apoio a diagnósticos com uso de equipamento de raios X, laboratório e ultrassonografia.

Para o secretário estadual da Saúde, Jorge Solla, a instituição, com o passar dos tempos, não conseguiu se modernizar, se profissionalizar e entrou numa situação de solvência. “Há dois anos buscamos parceiros que tivessem capacidade de soerguer o hospital. A fundação já recuperou uma parte da área física e temos um cronograma de um ano de progressiva ativação, até chegarmos ao total dos leitos existentes, beneficiando todo o Recôncavo”.

Etapas para execução de melhorias

O número de leitos será ampliado para 29 em 40 dias e serão ofertadas consultas ambulatoriais em urologia, cardiologia com holter, monitorização ambulatorial de pressão arterial, teste ergométrico e eletrocardiograma, oftalmologia (incluindo cirurgia de catarata e pterígio), cirurgia vascular e neurológica (com eletroencefalograma) e fisioterapia.

Segundo o gerente técnico da unidade de saúde da Fundação José Silveira, Sílvio Vasconcelos, inicialmente, a fundação vai incrementar a unidade de prontoatendimento com urgência e emergência. Em seguida, serão ampliados os internamentos na área de clínica médica. “Vamos implantar 70 leitos de clínica médica e algumas especialidades, como urologia, cardiologia, neurologia e cirurgia vascular no ambulatório”.

O representante da fundação garantiu que regularizou toda a situação de atraso de pagamentos da força de trabalho remanescente e, inclusive, os passivos trabalhistas negociados com o sindicato.

A última etapa será concluída em 180 dias, passando o hospital a funcionar com um total de 70 leitos, incluindo também o serviço de biopsia de próstata. Enquanto o centro cirúrgico do Hospital Nossa Senhora da Natividade não estiver funcionando plenamente, a equipe médica da Fundação José Silveira vai realizar as cirurgias de próstata e vascular no hospital de Oliveira dos Campinhos.

Compromisso com funcionários

O convênio contempla ainda o aproveitamento do efetivo do hospital, que possui uma clientela formada maciçamente por usuários carentes, oriundos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Maria Lúcia dos Santos, 52 anos, passadeira do hospital há 18 anos, comemora, porque os salários atrasados (sete meses) agora fazem parte do passado. “Não foi pior porque houve a ajuda da família. Vamos resgatar a história de muitos atendimentos e de um serviço de qualidade. Com o apoio de Nossa Senhora da Natividade, as coisas vão mudar para melhor”.

Moradores festejam

Cidadã ilustre e mãe de Caetano e Maria Bethânia, Dona Canô participou da cerimônia e disse estar mais feliz agora. A matriarca dos Velosos, 103 anos, chegou a ficar doente quando soube da notícia que a Santa Casa iria fechar. “É uma glória para mim. Lula veio a Santo Amaro e fui atrás dele e comuniquei. Ele atendeu meu pedido”.

O agricultor Narciso de Lima, 55 anos, e a autônoma Maria José Rodrigues, 62 anos, abrem o sorriso para falar que a saúde e a cidade mudaram. “Tava uma bagunça. A gente enfrentava fila em Salvador, porque aqui não tinha médico. Essa fundação vai resolver o problema da saúde na região”, disse Maria José.

Publicada às 11h55
Atualizada às 13h40