A Colina Sagrada ficou pequena nesta quinta-feira (13) para a multidão que foi reverenciar o Senhor do Bonfim. Há 257 anos, os fiéis cumprem um percurso de oito quilômetros, da Basílica da Conceição da Praia à Igreja do Bonfim. Milhares de pessoas saíram de suas casas vestidas de branco para acompanhar a lavagem do adro e das escadarias da igreja.

A festa começou às 8h40, com a cerimônia interreligiosa na Basílica da Conceição da Praia, quando baianos e turistas cantaram e oraram. Logo depois, às 9h, o governador Jaques Wagner, acompanhado do vice-governador Otto Alencar, do ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, e de secretários estaduais, deu início ao cortejo, que seguiu por todas as ruas da Cidade Baixa, até a Igreja do Bonfim.

“Estou cumprindo a tradição de reverenciar o Senhor do Bonfim. Quando estou aqui nunca peço nada para mim. Peço, sempre, para os baianos. Peço paz, tranquilidade, muito trabalho e sucesso”, disse Wagner.

Iniciada a festa, bandas de percussão, baianas e filhos de gandhy eram vistos por todo o trajeto, animando ainda mais aos que foram pedir a bênção de Oxalá, como é chamado o Senhor do Bonfim no candomblé.

E pedidos não faltaram. “Quero que o Senhor do Bonfim e todos os santos nos abençoem durante nossa gestão, que tem como principal foco o combate à pobreza em todo o Brasil, principalmente no Nordeste, na promoção da igualdade social”, disse o ministro do Desenvolvimento Agrário.

Durante o percurso, o governador parava para falar com os baianos. Ao chegar nas Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), cumprimentou e conversou com os pacientes, principalmente com os idosos.

O momento mais esperado da Lavagem do Bonfim é a subida à Colina Sagrada, com a chegada à igreja. Pessoas de todas as idades reverenciam o santo. Fitinhas do Bonfim são presas nas grades da igreja, deixando ali pedidos de todos os tipos.

Emocionado, o motorista Carlos Rodrigues não conseguiu conter as lágrimas ao agradecer ao Senhor do Bonfim, ou Oxalá, como ele prefere, a cura de sua filha de nove meses que nasceu com um problema cardíaco. “Prometi a Oxalá sempre participar da cerimônia. Ele salvou minha filha, o meu bem mais precioso. É o pai maior e agradeço por tudo”.

Na chegada ao templo, muita água-de-cheiro para atrair só coisas boas. Foi assim que Wagner e a primeira-dama Fátima Mendonça foram recebidos no adro da igreja, com um banho de água-de-cheiro e alfazema.

Do alto de uma janela superior do templo, o cônego da Igreja do Bonfim, Edson Menezes da Silva, abençoou a multidão, enquanto o Hino ao Senhor do Bonfim era tocado.

Antes mesmo da tradicional lavagem das escadarias, foi feito um ato de um minuto de silêncio para lembrar as pessoas que sofrem com as chuvas no Rio de Janeiro e em São Paulo, e representantes de várias religiões pediram paz.

Segurança
A Lavagem do Bonfim deste ano contou com cerca de 2.700 policiais, entre militares e civis, garantindo a segurança em todo o percurso do cortejo. O efetivo foi distribuído em seis subáreas, entre a avenida do Contorno e a Colina Sagrada, além de 44 pontos de interdição de tráfego de veículos.

A segurança contou também com o apoio do Batalhão de Apoio Operacional, Batalhão de Polícia de Choque, Batalhão de Guardas, Rondas Especiais (Rondesp), companhias independentes, Companhia de Polícia de Proteção Ambiental e esquadrões de Polícia Montada e de Motociclistas Águia, além do Grupamento Aéreo (Graer).

Publicada às 9h
Atualizada às 15h30